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ARTIGOS

Laerte Teixeira da Costa
secretário de Políticas Sociais da CSA (Confederação Sindical das Américas)


Heurísticas e vieses


09/04/2018

Heurística pode ser resumida como “atalho mental”, a capacidade de resolver ou inventar problemas segundo recentes definições. Viés é esgueira, soslaio e, no sentido figurado, “representa a tendência ou propensão desvirtuada ou preconceituosa de observar e agir”. Não são palavras comuns.

 

O mais abrangente estudo sobre heurísticas e vieses foi realizado por Daniel Kahneman e Amos Tversky, ambos psicólogos nascidos em Israel. Eles escreveram um artigo científico em 1974 (Revista Science) que contestou a racionalidade econômica e os preconceitos cognitivos. Esse artigo propiciou a Kahneman o Prêmio Nobel de Economia, não dividido com Tversky porque este morrera algum tempo antes. Posteriormente, Kahneman condensou seus pensamentos em um livro primoroso (Rápido e Devagar: duas formas de pensar, Editora Objetiva).

 

Essas primeiras linhas para desaguar no complicado Brasil da atualidade. Entre o final do século passado e estas duas novas décadas do terceiro milênio, o Brasil foi capaz de resolver dois enormes problemas: superar a ditadura e implantar a democracia, e estabilizar a sua moeda. Os dois momentos emblemáticos podem ser simbolizados na Constituinte de 1988 e no Plano Real de 1994. A nova constituição não previa a reeleição, causa parcial de nossos desatinos. 

 

O terceiro grande problema apresenta-se agora a cinco anos dos 200 anos da Independência. Pode ser resumido em duas palavras “impunidade e corrupção”. Envolvidos estão os três poderes da República, os maiores nomes da política nacional e uma casta de servidores públicos privilegiados, em meio a uma maioria mal remunerada, pobre ou desempregada. A solução ou não deste problema pode significar um salto em direção à construção definitiva da Nação ou um pulo no desconhecido, com imprevistas consequências institucionais.

 

Este filme é reprise. Uma parte da população indignada quer a imolação de um ex-presidente. A medida não resolve a equação porque outros permanecerão impunes, exercendo os seus cargos e locupletando-se à custa do erário. As eleições que se avizinham parecem não resolver, mas fazem parte da orgia pseudodemocrática que vivenciamos desde sempre. São mudanças que nada mudam, mas iludem.

 

O interesse público é dissimulado por eventos dramáticos, hoje com um ingrediente novo, inexistente em ocasiões passadas: as redes sociais. Aí também estão prováveis heurísticas e vieses. A divisão artificial da sociedade em compartimentos conflitantes e a manipulação e divulgação de fatos que distorcem a realidade. O produto mais valioso do mercado no momento são as mentes das pessoas. Provaram isso o plebiscito no Reino Unido e as eleições americanas, com resultados contestados, mas imodificáveis.

 

Torcemos pelo melhor, porém há que se desconfiar de soluções ardilosamente arquitetadas pelo andar de cima. Nossa democracia precisa ser aperfeiçoada. Sem mudanças reais e profundas, vamos nos repetir. Serão outras quimeras. 

 




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