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UGT/BA participa de cerimônia em memórias dos 23 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás


18/04/2019

A União Geral dos Trabalhadores no Estado da Bahia - UGT/BA – participou, nesta quarta-feira, 17, de evento em homenagem aos mártires do Massacre de Eldorado dos Carajás, fato histórico para o conjunto das lutas sociais e que em 2019 completa 23 anos.

 

A UGT/BA, representada por seu presidente Magno Lavigne, foi participou da cerimônia a convite do deputado Estadual Jacó e do Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras sem Terra (MST).

 

Magno ressaltou que se for para analisar a perspectiva histórica da época do Massacre e comparar com os tempos atuais, é possível encontrar muitos pontos em comum. “Foi um triste período da nossa história que diz muito sobre o tempo que estamos vivendo hoje. É bom lembrar que o ministro da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária era um banqueiro, o sr. José Eduardo de Andrade Vieira, que determinava a política do Governo federal, algo muito parecido com o que ocorre hoje, em que os banqueiros novamente ditam o ritmo do governo”, disse Magno.

 

O sindicalista comentou que o governo não quer que os sindicatos façam greve – por isso editou a medida provisória 873, proibindo o desconto sindical em folha de pagamento – que não quer que haja ocupações de terra ou a reforma agrária, por isso que colocou um general a frente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e que para defender essa ideologia não abre diálogo com movimentos sindicais ou sociais, como os sem-terra.

 

Apesar disso, Magno enfatizou que o povo irá lutar e enfrentar qualquer desafio. “O que eles querem para nós nunca importou, se eles querem que a gente faça de um jeito, a gente faz de outro”, concluiu o dirigente.

O Massacre de Eldorado dos Carajás

 

Foi o assassinato cometido pela polícia militar do Pará, em 17 de abril de 1996, em que vitimou 19 trabalhadores rurais sem-terra que estavam acampados na rodovia PA-150, no município de Eldorado do Carajás, depois de uma marcha de sete dias rumo a Belém.

 

Quase 300 policiais armados com escopetas, metralhadoras, fuzis e revólveres investiram contra os acampados, que resistiram usando paus e pedras. Após duas horas de enfrentamento, 19 sem-terra foram mortos e mais de 50 ficaram feridos. Dezenas de lavradores foram presos, espancados e humilhados. Nenhum policial morreu.

 

A perícia mostrou que pelo menos dez sem-terra foram executados com tiros à queima-roupa. Outros sete foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões. Foram encontradas nos corpos enormes perfurações a bala e manchas de pólvora. As vítimas tiveram membros mutilados e crânios esmagados. Mesmo quem tentou se proteger, foi atacado: Oziel Alves Pereira, de 17 anos, depois de se refugiar em uma casa, foi caçado, baleado, algemado e arrastado pelos cabelos até o ônibus da PM. Seu corpo apareceu depois no Instituto Médico Legal.

 

A ação policial foi filmada pela TV Liberal. Um dia após o massacre, as imagens foram divulgadas por veículos nacionais e estrangeiros.  O governador responsabilizou o coronel Mario Colares Pantoja, comandante da operação, pela truculência da ação e prometeu pensão vitalícia às famílias das vítimas, além da desapropriação da Fazenda Macaxeira. 

 

A intensa repercussão nacional e internacional abriu uma crise no governo federal. O ministro da Agricultura, Andrade Vieira, pediu demissão e foi substituído pelo senador Arlindo Porto. Uma semana depois do massacre, o presidente Fernando Henrique Cardoso recriou o Ministério da Reforma Agrária, nomeando para o cargo o militante do PPS Raul Jungmann.

 

 




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