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UGT Press 619: Empregos em risco


12/06/2018

RISCOS APONTADOS: as inovações tecnológicas sempre foram grandes redutoras de postos de trabalho. Desde os primeiros teares na Revolução Industrial se fala sobre isso. Em 2013, a Universidade de Oxford apontou que 47% dos empregos nos Estados Unidos e 35% no Reino Unido “estavam bastante ameaçados e tinham um alto risco de serem automatizados nos 20 anos seguintes. Em outras regiões do mundo era igualmente alto ou até mesmo bem mais alto: o risco era nas principais economias emergentes, como China e a Índia (77% e 69%, respectivamente)”, conforme artigo de Patrick Pedreira para o LinkedIn. Quadro realmente preocupante. Esse estudo da Oxford teve grande impacto e não abrangeu todas as economias, ficando de fora, por exemplo, o Brasil, cujo problema de empregos foi agravado pela recessão decorrente do descalabro nas contas públicas comprometidas pelos índices de corrupção dos três poderes da República. Afinal, algo que conhecemos de cátedra e há muitas décadas.

 

 

OCDE: agora, em 2018, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) minimiza os impactos da redução do emprego pelos robôs e inteligência artificial (IA), informando que os reflexos não serão tão dramáticos. Diz a OCDE que os números serão menores, mas que a queda nos empregos não será transitória ou pontual. A diminuição dos postos de trabalho estará sempre ocorrendo, permanentemente. No setor industrial isso vem ocorrendo desde a Revolução Industrial, mas houve importante compensação pela expansão do setor de serviços na sociedade moderna.

 

SERVIÇOS: ocorre que nesta fase da economia, o setor de serviços não está exibindo mais o mesmo crescimento das últimas décadas do século 20 ou destas duas primeiras décadas do século 21. Há um arrefecimento de sua expansão, com grande transformação em sua natureza e alcance. As tarefas estão sendo impactadas pelas inovações tecnológicas, incluindo aí as profissões tradicionais. Há um caso interessante no Brasil, numa ação pontual do então governo Lula: a automação das bombas de gasolina nos postos de serviço foi impedida, proibindo a dispensa de mais de 500 mil trabalhadores não especializados. Um exemplo que pode ser continuamente seguido em caso de “tecnologias bobas”, aquelas que não representam grande economia nos gastos da empresa e que podem garantir empregos a pessoas vulneráveis, cuja recolocação é bastante difícil.

 

JOVENS: fenômeno também notado e de graves consequências é a falta de postos de trabalho para os jovens. Segundo a maioria dos estudos, as tarefas mais simples são aquelas mais fáceis de serem automatizadas. Ao longo do tempo, elas constituíram a principal porta de entrada dos jovens nas empresas, os quais, gradativamente, aprendiam outras funções ou cresciam hierarquicamente na organização. Outra preocupação relacionada com os jovens é que eles estão sendo ensinados majoritariamente em funções que podem desaparecer. A Austrália fez um estudo neste sentido e descobriu que 50% de seus jovens estão estudando para serem formados em profissões que se tornarão obsoletas. No Brasil, o ensino profissional é praticamente inexistente e o estudo superior está sendo oferecido em profissões já com mercado saturado. Esta deveria ser a principal preocupação das autoridades educacionais do país.

 

OIT: desde que Guy Ryder assumiu a Organização Internacional do Trabalho, ele vem se preocupando com as transformações no mundo do trabalho. Prestes a completar 100 anos, a OIT segue sendo uma vanguarda nos estudos sobre o assunto. Em maio de 2017, no Rio de Janeiro, houve uma reunião de especialistas e pesquisadores sobre o mundo do trabalho, chegando-se à conclusão que “o papel do trabalho na sociedade contemporânea passa por transformações significativas, impulsionadas principalmente pelas tecnologias de informação e comunicação e por crescente flexibilização das relações trabalhistas”. Peter Poschen, diretor do escritório da OIT no Brasil, complementou: “Isso também tem repercussão imediata no mercado de trabalho, tanto na oferta e demanda de emprego, como na estabilidade desse emprego, nas qualificações necessárias”.  Guy Ryder foi o responsável pelo lançamento do programa “Iniciativa do Centenário sobre o Futuro do Trabalho”, uma discussão tripartite, envolvendo trabalhadores, empresários e governos. Ali teremos um estudo completo da situação envolvendo o mundo do trabalho para as próximas década




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