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Apenas duas dezenas de países investem menos do que o Brasil


02/03/2018

Se pudesse usar uma imagem para ilustrar os dados do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2017 escolheria a de um território destroçado por um furacão. A poeira acomodada gera alívio porque o pior passou, mas a ruína é tanta que o sentimento dominante é a dúvida sobre o tempo que levará a reconstrução.

 

Os números divulgados pelo IBGE confirmaram que há uma recuperação moderada em curso. Isso é melhor do que a severa recessão.

 

Mas o bem-vindo retorno dos gastos de empresas para expandir fábricas e repor máquinas não foi o suficiente para evitar que o investimento (como fatia do PIB) encolhesse para 15,6%, nível mais baixo desde 1996, quando começa a série histórica do IBGE.

 

Apenas duas dezenas de países investem menos do que o Brasil. Na lista, estão economias consumidas por ditaduras como as da Venezuela e do Zimbábue. Nossa aproximação dessa fronteira nos desvia da trilha do progresso econômico.

 

Avanços rumo ao desenvolvimento ocorrem quando a renda de um país vai se aproximando de nações ricas. Não é o que ocorre no Brasil.

 

Em 2011, numa lista de 191 países, ocupávamos a 59ª posição em termos de renda per capita. No ano passado, ficamos em 69º entre 189 nações. Os dados de renda em dólares podem ser distorcidos por oscilações das taxas de câmbio. Por isso, economistas preferem analisar os valores em paridade do poder de compra (PPC), que considera as diferenças de custo de vida entre países.

 

Por essa medida, a renda chinesa ultrapassou a brasileira pela primeira vez em 2016. A vantagem adquirida pelo país asiático era mínima, de apenas 1%. No ano passado, atingiu 7%.

 

Pode-se argumentar que, embora mais pobres que os chineses, podemos estar felizes com o fim da recessão e otimistas com o futuro.

 

Pesquisa do Datafolha que procurou capturar esse sentimento em janeiro, revelou o menor patamar de pessimismo em três anos. Mas quase quatro em cada dez brasileiros esperavam queda no poder de compra. Soa como uma preocupação coerente para quem acabou de sobreviver a um furacão e percebe que a reconstrução será lenta. Resta saber o peso desse sentimento nas urnas.

 

Fonte: Folha de SP

 


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