09/01/2026
Além disso, dados preliminares do Viva Inquérito 2024, realizado pelo Ministério da Saúde, indicam que 20,8% dos acidentados que chegavam a serviços de pronto atendimento eram trabalhadores de aplicativos.
Um estudo recente da Associação Paulista de Medicina (APM), divulgado agora em janeiro de 2026, confirma que o custo real das internações de motociclistas em hospitais pode chegar a 5 vezes o valor do repasse feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Também está sendo relatado nesse início de ano que entre 2020 e 2025, quase 45 mil motociclistas precisaram de internações na cidade de São Paulo, o que mostra um verdadeiro cenário de guerra, em que uma geração de jovens estão indo a óbito ou ficando com severas sequelas e mutilações devidos aos acidentes com motocicletas no trânsito.
O estudo aponta uma disparidade crítica entre o que o SUS reembolsa via Tabela SUS e os gastos reais com insumos, equipe e leitos de UTI necessários para tratar traumas complexos. Para especialistas em mobilidade viária a conta não está fechando e o SUS pode colapsar a qualquer momento.
Em casos graves, as despesas hospitalares podem atingir até R$ 400 mil por paciente, refletindo a gravidade das lesões que frequentemente exigem múltiplas cirurgias e internações prolongadas.
A análise surge em um momento de alerta, dado que, provavelmente nos primeiros meses de 2026, os acidentes com motocicletas continuarão sendo a principal causa de ocupação de leitos de trauma no Brasil.
Além do custo direto, essas internações geram um efeito cascata, muitas vezes forçando o adiamento de cirurgias eletivas complexas devido à lotação das unidades de saúde.
Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde apresentados na Conferência Nacional de Segurança no Trânsito no fim de julho passado, entre 2010 e 2023, 1,4 milhão de motociclistas foram internados após incidentes nas ruas brasileiras, o que corresponde a 57,2% de todas as internações associadas a lesões de trânsito no país.
As internações de motociclistas exigiram um gasto de mais de R$ 2 bilhões, ou 55,2% de tudo o que foi investido em gastos hospitalares de vítimas de trânsito.
Essa pesquisa contou com 42 mil entrevistados em unidades de pronto atendimento (UPAs) e outras que funcionam com portas abertas. A situação é mais grave em São Paulo e Belo Horizonte, onde o percentual chega a 31%.
Já o estudo VIVA Inquérito 2024, realizado pelo Ministério da Saúde, revelou dados alarmantes sobre os acidentes com motociclistas no Brasil. As principais estatísticas apresentadas que incluem mortes de motociclistas passarem de menos de 10% do total de óbitos no trânsito no início dos anos 2000 para mais de 40% em 2024.
Nesse cenário houve um aumento de 15% nas internações por acidentes com motos em 2024 em comparação com 2023.
Os acidentes frequentemente resultam em sequelas graves, como lesões na cabeça, amputações, traumatismo craniano, lesão medular, paralisia ou tetraplegia, exigindo tratamentos longos e custosos.
Entre as vítimas, 89% são homens, sendo que 65% deles têm idade entre 20 e 39 anos. O estudo ressalta a vulnerabilidade dos motociclistas e o grave impacto desses acidentes na saúde pública e nas famílias das vítimas.
Fonte: SindimotoSP
UGT - União Geral dos Trabalhadores