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Sindicato dos Comerciários de São Paulo, UGT e centrais denunciam exploração da Starbucks e trabalho escravo no Brasil


26/01/2026

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP), juntamente com a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e outros sindicatos participaram no dia 26 de janeiro de 2026 do ato promovido pelo movimento Sem Direitos Não é Legal, realizado em frente à unidade da Starbucks na Avenida Paulista. A mobilização reuniu cerca de 100 trabalhadores rurais do Sul de Minas Gerais, organizados pela ADERE/MG, além de dirigentes sindicais e apoiadores, denunciando graves violações de direitos humanos e trabalhistas na cadeia produtiva do café.

 

Durante a manifestação, o presidente da UGT e dos Comerciários, Ricardo Patah, declarou: “A Starbucks tem que responder criminalmente por comprar café de plantações que utilizam mão de obra escrava.”

 

Diretores do SECSP também estiveram presentes, entre eles a diretora Maria das Graças Silva Reis, responsável pela coordenação da campanha contra abusos da Starbucks e do McDonald’s no Brasil, que destacou a contradição entre o preço pago pelo consumidor e a exploração no campo: “Enquanto pagamos 30 reais em meio quilo de café, este é o valor pago em 60 litros para o trabalhador.”

 

O caso do café se soma a outras formas de exploração laboral no Brasil. No setor da moda, por exemplo, trabalhadores estrangeiros — em sua maioria bolivianos e paraguaios — são submetidos a condições análogas à escravidão em oficinas de costura, recebendo valores irrisórios por jornadas exaustivas. Segundo dados oficiais divulgados por veículos como G1 e CBN, mais de 65 mil pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão no Brasil nos últimos 30 anos, e em 2024 o país registrou um caso de tráfico de pessoas por dia, frequentemente ligado ao setor têxtil.

 

O ato que contou com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sinthoresp e a Femaco,  também lembrou a Chacina de Unaí, ocorrida em 2004, quando três auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante fiscalização de denúncias de trabalho escravo em Minas Gerais, reforçando a gravidade e a persistência da exploração laboral no setor. Entre os depoimentos, Fernando Henrique de Araujo Lopes, que trabalha há 10 anos em uma fazenda de Betim, no Sul de Minas, declarou: “Eu vejo o trabalho escravo, a carga horária, sempre tiram proveito dos trabalhadores e trabalhadoras. Sobre o ato de hoje, eu digo que todo posicionamento gera uma mudança.”

 

A mobilização também se conectou à luta dos baristas nos Estados Unidos, organizados pelo Starbucks Workers United, que estão em greve desde novembro de 2025 contra baixos salários, sobrecarga de trabalho e práticas antissindicais. As organizações presentes defenderam maior transparência na cadeia do café “do campo à xícara”, fortalecimento da fiscalização trabalhista por parte do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, reparação às vítimas de trabalho escravo, revisão dos sistemas de certificação e responsabilização das empresas globais que lucram com violações de direitos, como a Starbucks






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