27/01/2026
Em uma agenda unificada das centrais sindicais do país, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) esteve presente no ato contra o aumento da taxa Selic, realizado em frente ao Banco Central, na Avenida Paulista, na manhã do dia 27 de janeiro. A mobilização reuniu diversas entidades representativas dos trabalhadores, movimentos sociais e cidadãos preocupados com os impactos da política monetária sobre a economia nacional e, principalmente, sobre o emprego e a renda da população. O protesto teve como objetivo denunciar os efeitos nocivos da manutenção de juros elevados, que, segundo os organizadores, favorecem apenas os especuladores em detrimento da produção, da indústria e do consumo interno. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, coloca o Brasil como o segundo país com maior taxa de juros do mundo, atrás apenas da Turquia. Esse cenário é visto como insustentável, pois encarece o crédito, desestimula investimentos produtivos e agrava a situação das famílias endividadas. Para os trabalhadores e trabalhadoras, significa a perda do poder de compra, já que os salários não acompanham o aumento dos custos e o acesso ao consumo se torna cada vez mais restrito.
Entre os presentes, destacou-se a participação do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP), que, junto à UGT, marcou presença ativa na luta contra os juros altos. A entidade foi representada por Josimar Andrade, dirigente sindical que reforçou a importância da mobilização e defendeu políticas econômicas voltadas para o desenvolvimento, a geração de empregos e a valorização dos salários. Em sua fala, Josimar destacou que “estamos em 2026, um ano novo, mas com uma política velha que o Banco Central insiste em manter. Essa postura não condiz com a realidade que o país está vivendo, porque nossa balança comercial está em saldo positivo, o desemprego está baixo, a inflação controlada e o dólar em queda. Não há justificativa para manter os juros nesse patamar que penaliza os trabalhadores e trava o crescimento do Brasil”.
Além da UGT e do SECSP, estiveram presentes e convocaram o ato as principais centrais sindicais do país: CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros). Durante o ato, lideranças dessas centrais destacaram que o Brasil precisa de uma política econômica voltada para o desenvolvimento sustentável, capaz de gerar empregos de qualidade e ampliar o poder de compra da população. Eles argumentaram que o combate à inflação não pode se dar exclusivamente por meio da elevação dos juros, mas sim por políticas estruturais que incentivem a produção nacional, fortaleçam o mercado interno e promovam a distribuição de renda.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes exigiram que o Banco Central reveja sua estratégia e adote medidas que estejam alinhadas às necessidades sociais do país. O tom das falas reforçou que o crescimento econômico depende de estímulos à indústria, ao comércio e à agricultura, e não da retração do crédito e do consumo. Além disso, foi ressaltada a importância de se discutir alternativas que envolvam a redução da desigualdade e o fortalecimento das políticas públicas.
UGT - União Geral dos Trabalhadores