02/02/2026
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) reafirma sua posição histórica na defesa da jornada digna e da saúde da classe trabalhadora. A luta contra a escala 6x1, que garante ao menos um dia de descanso semanal, não é apenas uma reivindicação trabalhista: é uma bandeira política e social que se conecta diretamente à preservação da vida, da saúde e da dignidade de milhões de brasileiros e brasileiras.
Em 2025, o Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença, o maior número dos últimos cinco anos. Esse dado alarmante, divulgado pelo Ministério da Previdência Social, revela o impacto brutal das condições de trabalho sobre a saúde física e mental da classe trabalhadora. As dores nas costas e problemas na coluna continuam liderando os afastamentos, com mais de 445 mil casos entre dorsalgia e hérnia de disco. Mas o que chama ainda mais atenção é o crescimento explosivo dos afastamentos por transtornos mentais, que já somam mais de 546 mil licenças — um recorde histórico.
Esses números não são meras estatísticas: são o retrato da exploração cotidiana. Jornadas extenuantes, ausência de descanso adequado e pressão constante por produtividade adoecem o trabalhador. A escala 6x1, portanto, é um instrumento mínimo de proteção, um respiro necessário diante da engrenagem que insiste em transformar corpos e mentes em peças descartáveis. Sem descanso, o trabalhador acumula fadiga, aumenta o risco de lesões físicas e mergulha em quadros de ansiedade e depressão.
A UGT alerta que o modelo de trabalho que nega o descanso semanal é um modelo que produz doença e morte. Não se trata apenas de ergonomia ou de pausas técnicas: trata-se de reconhecer que o ser humano não é máquina. O recorde de afastamentos por saúde mental mostra que o adoecimento não é individual, mas coletivo, fruto de uma lógica de exploração que precisa ser enfrentada com organização sindical e luta política.
Defender a escala 5x2 é defender o direito ao descanso, à convivência familiar, ao lazer e à recomposição das forças físicas e emocionais. É afirmar que o trabalho deve servir à vida, e não o contrário. Por isso, a UGT conclama toda a classe trabalhadora a se unir nesta pauta: sem descanso não há saúde, sem saúde não há trabalho, e sem trabalho digno não há futuro.
UGT - União Geral dos Trabalhadores