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Direitos para uns, exploração para outros


05/02/2026

O Congresso Nacional recentemente aprovou a escala 3x1, garantindo aos seus próprios trabalhadores o direito de descansar um dia após três dias de serviço. A medida, apresentada como avanço, escancara uma contradição: os mesmos parlamentares que asseguram melhores condições dentro das casas legislativas são os que impedem o fim da escala 6x1, perpetuando um modelo de exploração que recai sobre milhões de brasileiros fora dos muros de Brasília.


Enquanto em Brasília se desfruta de super salários, auxílios e privilégios, a maioria dos trabalhadores brasileiros sobrevive com um salário mínimo. Com esse valor, precisam pagar aluguel, luz, água, transporte, alimentação e todas as despesas da casa. O pouco que sobra não garante qualidade de vida nem descanso. É uma luta diária para equilibrar contas e manter a dignidade, enquanto representantes blindados por regalias decidem que quem está na 6x1 não precisa de mais folga.


No regime 6x1, é preciso trabalhar seis dias consecutivos para se ter apenas um de descanso. Esse único dia, longe de ser dedicado ao repouso, se transforma em mais uma jornada invisível: cuidar da família, fazer compras, limpar a casa, pagar contas e resolver pendências. O descanso real não existe, e a saúde física e mental é sacrificada em nome da sobrevivência.


Além disso, a escala 6x1 impede o direito básico ao lazer e à cultura. Quem é submetido a ela, muitas vezes por exaustão, acaba não frequentando espaços de convivência, não participa de atividades culturais e sequer consegue aproveitar o tempo com a família. O dia passa rápido, e a preocupação em acordar cedo no dia seguinte transforma o descanso em mais uma obrigação. O tempo corre, e as pessoas adoecem.


A União Geral dos Trabalhadores (UGT) ressalta a incoerência de se garantir o regime 3x1 para alguns, como os trabalhadores do próprio Congresso, enquanto a maioria continua submetida ao 6x1. Essa desigualdade mostra um país que concede direitos a poucos e mantém a exploração para muitos. A UGT defende condições mais humanas, afirmando que permitir dois dias consecutivos de descanso não é luxo, mas sim dignidade. É preservar a saúde, garantir equilíbrio e assegurar que se trabalhe para viver, e não se viva apenas para trabalhar. O Brasil precisa escolher: continuar explorando seu povo ou finalmente valorizar quem constrói sua riqueza.




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