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Sindicato da construção civil aposta em campanha educativa para enfrentar o feminicídio


11/02/2026

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (STICC) tem desenvolvido, nos últimos anos, uma série de ações sociais voltadas aos trabalhadores do setor. Entre as iniciativas, destacam-se projetos de acolhimento a migrantes, com oferta de curso gratuito de língua portuguesa, e um trabalho considerado inovador na área da saúde pública.


Uma das ações de maior repercussão foi o programa Teste e Trate, liderado pelo médico Eduardo Emerim, que conquistou o primeiro lugar na Mostra Nacional de Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças, durante a 17ª edição da ExpoEPI, evento promovido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Diante do cenário alarmante da violência contra a mulher no Rio Grande do Sul — onde, entre 2012 e 2025, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada quatro dias — a diretoria do STICC decidiu lançar uma campanha institucional como forma de manifestar posicionamento e somar esforços à mobilização social contra esse tipo de crime.


A campanha multimídia “Respeito é o Alicerce de Tudo” foi desenvolvida pelos publicitários Gil Kurtz, responsável pelo planejamento, e Henrique Rosa, pela criação. A proposta central é evidenciar que a violência contra a mulher não ocorre de forma repentina, nem pode ser atribuída a explosões emocionais, acidentes ou a supostos “erros de percurso”.


De acordo com Henrique Rosa, a campanha estabelece uma analogia com a construção civil para demonstrar que o feminicídio é resultado de negligências contínuas e da ausência de correções ao longo do tempo. Assim como em uma obra em que trincas, sobrecarga ou um alicerce mal dimensionado são ignorados, pequenas falhas iniciais tendem a se agravar até gerar um desfecho grave e previsível.


Segundo o presidente do STICC, Gelson Santana, a iniciativa busca desconstruir a narrativa do chamado “crime passional”, frequentemente associado a sentimentos como amor, impulso ou forte emoção. Para ele, a atuação do sindicato vai além da constatação dos problemas sociais. “A diretoria entende que é necessário contribuir com ações práticas que ajudem a transformar realidades negativas. A campanha apresenta o feminicídio como consequência de uma sequência de falhas não corrigidas, de forma semelhante a uma obra mal conduzida”, afirma.


A proposta também reforça que comportamentos de controle, desrespeito à individualidade e violação de direitos não devem ser tratados como episódios isolados, mas como sinais iniciais de um processo que pode culminar em violência extrema.


A campanha prevê a distribuição de materiais informativos nos canteiros de obras e na sede do sindicato, além da veiculação de peças em mídias digitais. A divulgação está programada para começar no dia 11 de fevereiro.


Fonte: Jornal o Sul




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