19/02/2026
A União Geral dos Trabalhadores (UGT), na figura de seu
presidente, Ricardo Patah, manifesta total solidariedade às mobilizações
realizadas na Argentina contra o brutal retrocesso imposto pelo governo de Javier
Milei.
Ao lado da UGT, a UNICOM – Confederação de Sindicatos de
Comércio do Mercosul, por meio de seu diretor Avelino Garcia Filho, dirigente
do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP) e representante do
Secretariado Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Sentracos),
também reafirma seu compromisso com a defesa intransigente dos direitos
trabalhistas em toda a América Latina.
O que está em curso no país vizinho não é modernização, é
desmonte. Não é avanço, é regressão histórica. Direitos trabalhistas não são
privilégios: são conquistas civilizatórias, fruto de décadas de luta para
corrigir injustiças praticadas por quem sempre colocou o lucro acima da vida
humana. Atacar esses direitos significa rasgar a história e empurrar milhões à
insegurança social.
A Argentina torna-se, neste momento, um exemplo de alerta.
Nossos “hermanos” estão sendo submetidos a medidas que se aproximam
perigosamente da institucionalização da precarização e da fragilização das
garantias sociais.
Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023,
o país mergulhou em forte recessão. A abertura econômica desenfreada e a
redução drástica do papel do Estado já resultaram na perda de centenas de
milhares de empregos formais, atingindo duramente a construção civil, a
indústria e as economias regionais. O desemprego cresce, a renda encolhe e a
desigualdade se aprofunda.
A chamada “reforma trabalhista” amplia jornadas para até 12
horas sem o devido pagamento de horas extras, estende períodos de experiência
com indenizações reduzidas, fragiliza convenções coletivas nacionais, restringe
o direito de greve e flexibiliza férias e demissões. Trata-se de um pacote que
institucionaliza a precarização, enfraquece sindicatos e transforma
trabalhadores em peças descartáveis.
Para Ricardo Patah, presidente da UGT, o momento exige
firmeza e unidade: “A América do Sul não pode aceitar retrocessos sociais
travestidos de modernização. O trabalho digno é pilar da democracia. Sempre que
direitos são atacados, a desigualdade aumenta e a sociedade inteira paga o
preço.”
A UNICOM reforça que os trabalhadores argentinos não estão
sozinhos. A classe trabalhadora do Mercosul acompanha, denuncia e se posiciona.
A história demonstra que nenhum projeto que ataque direitos sociais se sustenta
sem gerar conflitos profundos. Retroceder em direitos é abrir feridas sociais
difíceis de cicatrizar.
A solidariedade internacional é fundamental neste momento.
Defender o trabalho digno é defender a democracia, o desenvolvimento
sustentável e o futuro das próximas gerações. Retrocessos não serão
naturalizados. Direitos se respeitam — e se defendem.
UGT - União Geral dos Trabalhadores