20/02/2026
Um documento oficial da Prefeitura de Curitiba revela um cenário grave e crescente de adoecimento mental entre guardas municipais — e reforça uma denúncia que o SIGMUC vem fazendo há tempos: a falta de valorização profissional, a sobrecarga de trabalho, a ausência de perspectivas na carreira e práticas de assédio por chefias estão adoecendo trabalhadores e prejudicando diretamente o serviço público.
De acordo com o levantamento do Departamento de Saúde Ocupacional, foram registrados 707 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais (CID F) entre 2021 e 2025. No mesmo período, 192 guardas municipais diferentes precisaram se afastar para tratamento de saúde mental (contagem única por servidor no ano e no acumulado de cinco anos).
O total anual de afastamentos aponta tendência de alta e manutenção em patamar crítico:
2021: 116 afastamentos
2022: 95 afastamentos
2023: 157 afastamentos
2024: 173 afastamentos
2025: 166 afastamentos
Total (2021–2025): 707 afastamentos
Além da quantidade, o impacto operacional é enorme: o documento aponta 10.822 dias de trabalho perdidos no período, com média geral de 15,3 dias por afastamento.
Ansiedade, depressão e estresse lideram os afastamentos
A distribuição por CID mostra que os afastamentos estão diretamente relacionados a quadros de sofrimento psíquico típicos de ambientes de trabalho adoecedores, marcados por pressão, cobrança excessiva, falta de reconhecimento e desgaste permanente:
Outros transtornos ansiosos: 224 afastamentos
Episódios depressivos: 149 afastamentos
Transtorno afetivo bipolar: 125 afastamentos
Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação: 61 afastamentos
Transtorno depressivo recorrente: 44 afastamentos
Esses dados evidenciam que não se trata de casos isolados, mas de um padrão de adoecimento que tem relação direta com condições de trabalho e gestão de pessoas.
Adoecimento não é “fraqueza”: é consequência de desvalorização e sobrecarga
O SIGMUC denuncia que o aumento de afastamentos por saúde mental é reflexo de uma política de recursos humanos que falha em proteger o servidor e em garantir condições dignas de trabalho.
Enquanto as atribuições da GMC se ampliam e a cobrança cresce, persistem problemas estruturais como: falta de valorização profissional e salarial; sobrecarga de trabalho e acúmulo de responsabilidades; ausência de perspectiva real de crescimento e reconhecimento; ambiente organizacional marcado por pressão e relatos de assédio por chefias.
A conta dessa negligência recai sobre o trabalhador, mas também sobre o município — e sobre a população. Ignorar a valorização e a saúde ocupacional não reduz custos — apenas muda a despesa de lugar.
Quando o servidor adoece e se afasta: há desfalque nas equipes; aumenta a sobrecarga de quem permanece na ativa; cresce a necessidade de remanejamentos e improvisos; cai a qualidade do atendimento à população; e se forma um ciclo contínuo de adoecimento.
Diante da gravidade dos números oficiais, o SIGMUC informa que a presente atualização estatística será juntada aos autos da ação judicial em curso que trata da matéria, como elemento técnico probatório do quadro de adoecimento na Guarda Municipal de Curitiba.
A medida busca demonstrar ao Poder Judiciário que o problema não é pontual, mas estrutural e crescente, exigindo providências concretas da Administração Pública para proteção da saúde dos servidores e da eficiência do serviço público.
O que o SIGMUC defende?
Diante dos dados oficiais, o SIGMUC reforça a necessidade urgente de: política real de valorização da carreira; medidas permanentes de prevenção ao adoecimento mental; combate institucional ao assédio moral; gestão de pessoal planejada, transparente e responsável; condições de trabalho compatíveis com as atribuições.
Valorizar o guarda municipal é proteger o serviço público — e garantir que Curitiba tenha segurança e atendimento de qualidade.
SIGMUC — Em defesa de quem protege Curitiba.
Fonte: SIGMUC
UGT - União Geral dos Trabalhadores