02/03/2026
O Mês Internacional da Mulher foi aberto neste domingo (1º) com um ato memorial pela vida das mulheres, realizado na Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, no Parque Novo Mundo, zona norte de São Paulo. O evento, promovido pelo Ministério das Mulheres do governo federal, reuniu centenas de pessoas — entre autoridades, lideranças sindicais e movimentos sociais — para denunciar o feminicídio e exigir políticas públicas eficazes de proteção. Este foi apenas um dos atos que ocorrerão ao longo do mês, em diferentes regiões do país, como parte da programação oficial em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
Entre as lideranças presentes estavam a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, além de Maria Edna Medeiros, secretária nacional da Mulher da UGT, e Isabel Kausz, diretora da Secretaria da Mulher do SECSP. Também participaram representantes da SINTETEL e da FENATTEL, reforçando o papel do sindicalismo na luta contra a violência de gênero.
Maria Edna Medeiros ressaltou:
“Estamos cansadas de morte e violência. Queremos igualdade, liberdade e viver! Não podemos aceitar que o feminicídio siga ceifando vidas e destruindo famílias. Nossa luta é permanente por políticas públicas eficazes, proteção às mulheres e por uma cultura de respeito e igualdade.”
A vice-presidente da FENATTEL, Cristiane do Nascimento, destacou a importância da tornozeleira eletrônica como medida preventiva capaz de salvar vidas. Ela conversou diretamente com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, sobre a necessidade de ampliar o uso desse dispositivo para monitorar agressores e proteger mulheres em situação de risco.
Isabel Kausz reforçou a necessidade de revisão das medidas protetivas, lembrando que o feminicídio atinge não apenas as mulheres, mas também suas famílias e comunidades:
"Não cabe à vítima comprovar a continuidade do risco. Exigir que ela vá ao fórum ou à delegacia para renovar a proteção é uma forma de revitimização e violência institucional.”
A mobilização também evidenciou o papel fundamental do mundo sindical no combate ao feminicídio. Sindicatos como a UGT e o SECSP mostraram que a luta contra a violência de gênero não se limita ao espaço doméstico, mas atravessa o mundo do trabalho e da organização coletiva. Ao assumir essa pauta, o sindicalismo fortalece a voz das mulheres trabalhadoras, pressiona por políticas públicas eficazes e reafirma que a defesa da vida das mulheres é inseparável da luta por igualdade, dignidade e justiça social.
A atividade teve como marco a inauguração de um mural de mais de 140 metros em homenagem a Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de um dos casos mais chocantes de feminicídio recente. Em novembro de 2025, Tainara foi brutalmente arrastada na Marginal Tietê, uma das principais vias de grande movimento da cidade, episódio que gerou comoção nacional e simboliza a urgência do combate à violência contra as mulheres.
A obra foi realizada por mais de 35 mulheres grafiteiras e artistas visuais, sob a coordenação das artistas Katia Lombardo e Simone Siss.
A UGT enfatizou que o enfrentamento à violência de gênero passa pela educação, pela independência econômica das mulheres e pelo fortalecimento de políticas públicas integradas, reafirmando que a vida das mulheres é inegociável e que o Brasil precisa avançar na construção de uma sociedade livre de feminicídio.
UGT - União Geral dos Trabalhadores