16/03/2026
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) tem entre seus compromissos históricos a defesa de melhores condições de vida e de trabalho para os trabalhadores(as) brasileiros(as). Dentro dessa agenda, uma das bandeiras mais importantes da central é o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador(a) precisa cumprir seis dias seguidos de trabalho para ter apenas um dia de descanso. Na prática, essa jornada pesada afeta diretamente a saúde, a convivência familiar e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores(as) no país.
Esse debate vem ganhando força em todo o Brasil, e os números mostram que a sociedade está cada vez mais atenta ao tema. Pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada no último sábado (14), revela que a maioria dos brasileiros(as) apoia o fim da escala 6x1. O levantamento foi feito entre os dias 3 e 5 de março, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios, e aponta que 71% dos entrevistados(as) defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana. Apenas 27% se posicionaram contra, enquanto 3% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Para a UGT, esses dados confirmam algo que os trabalhadores(as) sentem na rotina diária: a jornada atual é pesada e precisa ser revista. A proposta defendida pelo movimento sindical é avançar para uma jornada de 40 horas semanais, sem redução de salários, com a chamada escala 5x2, garantindo dois dias de descanso. Essa mudança pode trazer mais equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e saúde para milhões de trabalhadores(as) brasileiros(as).
Outro ponto importante revelado pela pesquisa é o impacto da escala 6x1 sobre as mulheres trabalhadoras. O estudo mostra que 77% das mulheres entrevistadas apoiam o fim desse modelo, enquanto entre os homens o índice é de 64%. O dado evidencia uma realidade conhecida: muitas mulheres enfrentam uma dupla jornada. Além do trabalho formal, grande parte ainda assume responsabilidades domésticas e o cuidado com a família. Com apenas um dia de descanso por semana, essa sobrecarga se torna ainda mais pesada.
Outro fator que pesa no cotidiano dos trabalhadores(as): o tempo de deslocamento entre casa e trabalho. Em muitas cidades brasileiras, o trabalhador(a) passa horas no transporte público, enfrentando ônibus, trens e metrôs frequentemente lotados e em condições precárias. Isso significa que, além da jornada de trabalho, existe um tempo adicional gasto diariamente apenas para chegar ao emprego e voltar para casa. No final do dia, sobra muito pouco tempo para descanso, convivência familiar, lazer ou estudo.
UGT - União Geral dos Trabalhadores