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Mobilizações de entregadores de aplicativos ainda têm efeito limitado nas condições de trabalho


23/03/2026

Para todos verem: Imagem de diversos entregadores reunidos no centro da rua, com as bicicletas e motos estacionadas ao redor. No centro, à frente dos entregadores, bags de entrega empilhadas. Acima, texto no canto superior esquerdo “Relatório Técnico”. Abaixo, centralizado, “Organização coletiva e poder de entregadores que trabalham com moto e bicicleta para empresas-plataforma”. Canto inferior direito com logomarca branca da Fundacentro e selo comemorativo dos 60 anos da instituição.

Estudo analisa organização coletiva da categoria e obstáculos para mudanças efetivas e duradouras


organização coletiva de trabalhadores é um elemento fundamental para melhorar condições de trabalho, segurança e proteção social. No caso dos entregadores por aplicativos, embora as mobilizações da categoria tenham aumentado e ganhado visibilidade, a capacidade de alcançarem mudanças efetivas e duradouras ainda é limitada. Um relatório técnico publicado pela Fundacentro observa que os obstáculos estruturais são o principal problema. Entre eles, a fragmentação da categoria, a alta rotatividade, a ausência de mecanismos formais de negociação coletiva e o modelo de gestão das plataformas digitais.

A partir de revisão bibliográfica, diálogos com trabalhadores e observação de campo, os tecnologistas da Fundacentro Leo Vinicius Maia e José Renato Schmidt traçaram um panorama do cenário atual em diferentes países. Analisaram formas de representação e estratégias de articulação coletiva desses trabalhadores e buscaram compreender como cada formato pode ampliar ou limitar conquistas de longo prazo nas condições de trabalho.

Mobilizações crescem, desafios se mantêm

Nos últimos anos, entregadores de aplicativos têm ampliado formas de organização coletiva em diferentes cidades brasileiras e em outros países. No Brasil, predominam as organizações informais, como grupos e coletivos, e associações locais.

Paralisações, protestos, campanhas públicas e articulações em redes sociais passaram a ser estratégias para reivindicarem melhores remunerações, maior transparência nos critérios das plataformas e medidas de proteção à segurança no trabalho. Como exemplo, o estudo cita o breque dos apps de 2025. “Esse Breque foi construído a partir de uma espécie de articulação nacional de várias referências locais, em aspecto de rede, sem constituir, no entanto, uma identidade organizativa nacional”, explicam os autores.

No entanto, o obstáculo reside no modelo de trabalho precarizado. A própria dinâmica laboral, com informalidade, alta rotatividade, autonomia limitada, relações de trabalho flexíveis, inexistência de mecanismos institucionais de negociação coletiva e gestão por algoritmos, distancia os trabalhadores. O caráter individualizado da prestação de serviços fragmenta as ligações e ações conjuntas e impede que os mecanismos de negociação se tornem estáveis.

Sem reconhecimento formal como empregados ou representação institucional consolidada, os entregadores não têm força para obrigar as empresas a negociar suas reivindicações, mesmo quando mobilizações alcançam grande adesão. Esse cenário evidencia os desafios de organização coletiva em um setor marcado por relações de trabalho mediadas por aplicativos e por grande dispersão dos trabalhadores.

“É necessário pensar na ‘precarização da organização coletiva’ dos trabalhadores, em vez de discutir apenas a precarização do trabalho”, destacam os autores.

Recomendações

Entre as estratégias apontadas no relatório para ampliar o poder coletivo dos entregadores estão campanhas públicas capazes de mobilizar consumidores e gerar impacto na imagem das empresas de plataformas digitais. Outros pontos são a necessidade de paralisações com maior tempo de duração e sem prazo determinado e estabelecer meios de levantar fundos de greve.

Também é fundamental articular movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores e sindicatos, além da construir alianças com outros grupos de trabalhadores. É uma forma de reconhecer essas iniciativas como parte essencial da luta por condições mais justas e dignas.

Avançar nas iniciativas de regulamentação que estabeleçam padrões mínimos de remuneração, segurança e proteção social para trabalhadores de plataformas digitais é outro aspecto. Além disso, é preciso que políticas públicas e sindicatos considerarem essas novas formas de mobilização ao pensar estratégias de proteção social e de regulação do trabalho digital.




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