26/03/2026
Na última quinta-feira (19), a Federação Independente dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (FITIASP) deu um passo fundamental para a valorização das trabalhadoras. Em evento realizado em sua sede, foi aprovada por unanimidade a criação da Coordenadoria de Direitos das Mulheres (CDMF). O encontro reuniu dirigentes sindicais, representantes de entidades filiadas, funcionárias e assessoras.
A abertura formal do evento foi realizada pelo presidente da FITIASP, Paulão, que reafirmou o compromisso da federação com a promoção da igualdade e com a construção de um movimento sindical mais inclusivo e conectado com a realidade da classe trabalhadora.
O cenário de desigualdade no setor
A criação do órgão reflete a urgência de políticas voltadas à escuta e ao fortalecimento das mulheres no setor. Durante o evento, a economista Renata Filgueiras, representante do DIEESE, apresentou dados alarmantes baseados em um estudo da RAIS/2024.
O levantamento revelou que as mulheres representam apenas 33,4% da força de trabalho no ramo alimentício do estado. Além da baixa participação, a disparidade salarial é profunda: a remuneração média das mulheres é aproximadamente 23,7% menor que a dos homens. Essa diferença persiste independentemente do nível de escolaridade das profissionais e mesmo quando exercem funções equivalentes, o que evidencia um problema de caráter estrutural. O estudo apontou ainda que as trabalhadoras enfrentam maior rotatividade, menor estabilidade no emprego e se concentram nas faixas salariais mais baixas.
Liderança e protagonismo
A CDMF atuará de forma permanente e, nesta primeira fase, será liderada pelas Diretoras da FITIASP, Elaine Akemi e Márcia Bagnato, designadas como coordenadoras gerais.
Idealizadora do projeto, a diretora Elaine Akemi destacou que a Coordenadoria nasce como um instrumento de organização para dar visibilidade às demandas femininas e enfrentar as desigualdades do mundo do trabalho. Já a diretora Márcia Bagnato chamou a atenção para a necessidade de combater condutas e falas machistas. Segundo ela, essas atitudes, muitas vezes naturalizadas no ambiente de trabalho e no meio sindical, limitam a participação das mulheres nos espaços de decisão.
Para garantir um ambiente de acolhimento e livre de discriminações, a Coordenadoria focará em ações de conscientização, além de prever a criação de um Canal de Apoio às Mulheres Trabalhadoras.
Agenda de lutas para 2026
As atividades práticas da Coordenadoria terão início em maio deste ano e já contam com um calendário estratégico focado em eixos essenciais de proteção e direitos:
Maio: O mês será focado na promoção da igualdade salarial, fundamentada na Lei nº 14.611/2023. As ações nas bases incluirão a fiscalização nas empresas, a inclusão de cláusulas em convenções coletivas e o estímulo à exigência de relatórios de transparência salarial.
Julho: O foco será o combate ao assédio moral e sexual no trabalho, com base na Lei nº 14.457/2022. O planejamento prevê rodas de conversa com trabalhadoras, orientação sobre mecanismos de denúncia e fiscalização da implementação da CIPA+A nas empresas.
Agosto: Em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a Coordenadoria realizará uma atividade central sobre a prevenção à violência doméstica e articulará apoio com a rede local de proteção, como CRAS e Ministério Público.
Outubro: O planejamento voltará as atenções para a saúde preventiva da mulher. Haverá campanhas contra o câncer de mama e colo do útero, além do incentivo a políticas de saúde mental e apoio psicológico para gestantes e mães trabalhadoras.
Novembro: Integrando-se ao Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher (25/11), as atividades darão continuidade à agenda de agosto, promovendo debates sobre a prevenção de diversas formas de violência (física, psicológica, patrimonial e sexual) e do feminicídio, com base na Lei nº 13.104/2015.
Fortaleça essa luta, fortaleça seu sindicato!
Fonte: FITIASP
UGT - União Geral dos Trabalhadores