06/05/2026
Levantamento internacional mostra que brasileiros trabalham mais horas por ano, enquanto especialistas defendem que ganhos de produtividade devem ser convertidos em redução da jornada e melhoria da qualidade de vida
Um levantamento da Our World in Data mostrou que o Brasil está entre os países com maior número de horas trabalhadas por ano. Em 2024, o país ocupou a quarta posição no ranking global, com média de 1.993,72 horas anuais por trabalhador, atrás apenas de Índia, China e Rússia.
O dado reforça um cenário de alta carga de trabalho, especialmente em economias emergentes. Em contraste, países desenvolvidos como Alemanha, França e Reino Unido apresentam jornadas anuais significativamente menores, sem que isso represente perda de competitividade econômica.
Esse cenário reacende o debate histórico no campo do trabalho: a relação entre produtividade e jornada. Estudos recentes realizados por organismos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), indicam que o aumento da produtividade — impulsionado por tecnologia, qualificação profissional e inovação — permite produzir mais em menos tempo. Ou seja, ganhos produtivos podem e devem ser convertidos em redução da jornada, sem que isso represente queda de produção.
Na prática, países que adotaram jornadas menores tendem a registrar ganhos indiretos, como melhora na saúde dos trabalhadores, aumento da satisfação e elevação da eficiência no trabalho. Experiências com semanas de quatro dias em nações europeias, por exemplo, têm mostrado manutenção ou até crescimento da produtividade.
No Brasil, a redução da jornada ainda enfrenta resistência, apesar do avanço tecnológico em diversos setores. Para analistas do DIEESE, o país combina longas jornadas com desigualdade na distribuição dos ganhos econômicos, o que limita a conversão da produtividade em melhores condições de trabalho.
Além disso, o debate se conecta diretamente à renda. Mesmo com elevada carga de trabalho, grande parte dos trabalhadores brasileiros recebe salários relativamente baixos, o que levanta questionamentos sobre a distribuição dos ganhos gerados pela economia.
Nesse contexto, propostas que defendem a redução da jornada semanal — como o fim da escala 6x1 — ganham espaço no debate público. A medida é vista por entidades sindicais como uma forma de alinhar o Brasil às tendências internacionais e garantir mais qualidade de vida à população trabalhadora.
A discussão, portanto, vai além do tempo de trabalho: envolve o modelo de desenvolvimento adotado e a forma como os ganhos de produtividade são distribuídos entre capital e trabalho.
Fonte: UGT-SP
UGT - União Geral dos Trabalhadores