07/05/2026
A ofensiva conjunta dos governos dos Estados Unidos e de Israel contra o território e o povo iraniano, ao contrário do preconizado pelo presidente estadunidense Donald Trump, não se confirmou como conflito de curta duração. A escalada militar tem produzido efeitos profundos não apenas sobre a população da região, mas também sobre a economia internacional, com repercussões em todo o mundo. Após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei em bombardeio dos EUA, em 28 de fevereiro deste ano, o regime iraniano, além de permanecer resistente, apostou em ofensivas contra Israel e bases estadunidenses localizadas em países no Oriente Médio.
No entanto, a estratégia que tem afetado muito a economia mundial é o bloqueio do Estreito de Ormuz. Isso porque o canal é um dos principais pontos de escoamento de petróleo no mundo: estimam-se que 20% do petróleo mundial e do gás natural liquefeito (GNL) passem pelo local. Além disso, o Estreito é um ponto estratégico da logística internacional, principalmente para os países asiáticos, em especial a China.
Nas últimas semanas, embora tenha sido anunciado um cessar-fogo temporário, a situação permanece instável e sem perspectivas concretas de solução duradoura. Soma-se a esse ambiente de tensão a maior fragilidade vivida por países da América Latina (evidenciada, por exemplo, pelo caso da Venezuela), ao mesmo tempo em que se observa o enfraquecimento de organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
Nesse cenário, torna-se urgente que países do Sul Global e de economias emergentes adotem estratégias mais assertivas voltadas à defesa da classe trabalhadora, à proteção dos mercados internos e à promoção do desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo. O Brasil, apesar de ser um dos principais produtores de petróleo do mundo, apresenta capacidade de refino inferior ao consumo interno, o que gera dependência da importação de derivados, especialmente do diesel. Hoje, cerca de 25% do diesel consumido no país é importado, o que evidencia vulnerabilidade relevante diante de choques externos.
A atual fragilidade do parque de refino brasileiro não pode ser explicada por um único fator, mas por uma combinação de decisões estratégicas que, ao longo do tempo, comprometeram a capacidade nacional de processamento de petróleo. Esse processo envolveu a interrupção e o redimensionamento de projetos de expansão, especialmente no contexto da Operação Lava Jato, que afetou diretamente grandes obras do setor. Na sequência, a redução dos investimentos durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, somada à adoção de uma estratégia de desinvestimentos, com a venda de ativos relevantes (como as refinarias Landulpho Alves, Isaac Sabbá e Clara Camarão), contribuiu para a perda de capacidade operacional e de coordenação no setor. Como resultado, o país ficou mais exposto às oscilações do mercado internacional de derivados e mais vulnerável a choques de preços, com a autonomia energética reduzida, sujeito a influências externas diretas sobre os custos internos e a dinâmica inflacionária.
Os desinvestimentos nas cadeias produtivas de maior valor agregado, em um setor estratégico como o energético, têm repercussões importantes sobre a população, pelo aumento dos preços do diesel e também dos demais combustíveis, considerando que as refinarias pressionam para acompanhar as variações nos preços internacionais. Esse cenário piora com a privatização da BR Distribuidora e a abertura do mercado de distribuição para importadores e operadores privados.
Exemplo da importância da participação da Petrobrás na cadeia produtiva do petróleo é a variação bastante inferior dos preços da gasolina e do diesel nas refinarias controladas pela empresa em relação aos valores naquelas comandadas pela Acelen4, desde o início da guerra. Enquanto o preço do diesel nas refinarias da Petrobrás variou 11,4%, nos centros de refino controlados pela Acelen subiu 73,7%5.
Fonte: Dieese
UGT - União Geral dos Trabalhadores