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Sem transição, manifestantes fecham a Avenida Paulista pelo fim da escala 6×1


26/05/2026

Nesta segunda-feira (25), mesmo dia em que a comissão especial do Congresso Nacional analisava o parecer do relator pelo fim da escala 6 por 1, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por trabalhadores exigindo a diminuição da jornada de trabalho de 44 horas e o direito de dois dias de descanso por semana.

 

Com gritos de “transição não”, os manifestantes caminharam por duas horas em uma das pistas da avenida desde o Museu de Arte de São Paulo (Masp) até a Praça Franklin Roosevelt, no final da Rua Augusta. Durante o dia, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que um acordo entre parlamentares prevê que a escala 5×2 e a redução de duas horas na jornada (de 44 para 42) devem entrar em vigor em até 60 dias após aprovação da PEC 221/2019 e que as duas horas restantes (de 42 para 40) serão reduzidas em até 12 meses.

 

“Não vai ter nenhum inimigo do povo que está lá em Brasília que vai impedir a vitória do povo brasileiro. Por isso, a gente não aceita nenhuma transição. A gente quer o fim da escala 6×1 na semana que vem, assim que acabar a votação no Congresso”, disse Ana Paula Perles, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), logo no início da manifestação.

 

“Nós estamos em uma semana histórica. A redução de jornada sem redução de salário sempre foi uma luta das centrais sindicais e dos sindicatos. E essa semana, através do convencimento da sociedade, ao ganhar a opinião pública, o Congresso vai aprovar essa pauta tão importante para o trabalhador e para a trabalhadora. Só com mobilização nós vamos conseguir avançar pelo fim de escala 6×1 e a redução de jornada sem redução de salário, sem transição”, falou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, Wellington Damasceno.

 

“Quando você consagra um direito, não pode ter transição para viabilizar um direito. Essa é a velha história de ir empurrando com a barriga. Eu sou contra essa transição de um ano, porque, quando é para a classe trabalhadora, tem transição; quando é para os privilegiados, os burgueses, os empresários, os banqueiros, os latifundiários, não tem transição, é imediato”, disse o ex-deputado federal José Genoíno, que lembrou que a reivindicação de 40 horas semanais era uma pauta desde a constituinte de 1988.

 

A co-deputada estadual da Bancada Feminista Silene Maciel (Psol) destacou a importância da vitória para as mulheres. “Essa é uma semana decisiva; vamos derrotar essa escala de morte, essa escala da escravidão. E eu quero saudar as mulheres, que são a maioria da classe trabalhadora. Somos nós, mulheres, as mais afetadas com essa jornada de trabalho exaustiva”, disse.

 

Natália Boulos, do MTST, lembrou que, desde 1988, não houve redução da jornada no país e criticou os que são contra a mudança. “A verdade é que o debate do fim da escala 6×1 mostrou quem são os verdadeiros defensores da família nesse país. Mostrou que bolsonaristas se preocupam só com a família deles”.

 

A empresária Isabela Raposeiras também subiu no carro de som para defender não só o fim da escala 6×1, mas a implantação da escala 3×4. “Eu sou patroa e eu sou contra a escala 6×1. Há 20 anos que eu abro meu comércio e nunca cobrei a escala 6×1. Não existe argumento empresarial, nem econômico, porque as empresas que estão no 5×2 ou 4×3, como a minha, estão muito melhores. E aqueles que não querem a escala 6×1, sabe por quê? Eles não querem, porque são escravocratas”.

 

O último a falar foi Matheus Rigonatti, coordenador estadual em São Paulo do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que pediu que a mobilização seja mantida essa semana. “Vamos nos mobilizar nos dias 27 e 28 na internet e nas ruas para mostrar que quem manda nesse país é o povo”, disse Rigonatti, que ainda destacou que, se o Congresso Nacional não aprovar o projeto, o Brasil entrará “em greve geral”.

 

 

Fonte: Brasil de Fato




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