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Lula quer lançar linha de crédito para compra de motos e mira entregadores


03/06/2026

Fonte: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer lançar uma nova linha de crédito, agora para financiar a compra de motos para beneficiar entregadores.


Esse é um público que compreende principalmente trabalhadores jovens, sem vínculo formal de emprego e representa um desafio para as equipes de campanha em ano eleitoral.


O tema foi discutido em reunião na segunda-feira (1º) entre o chefe do Executivo e ministros da área econômica. As equipes ficaram de estudar os modelos e levar as possibilidades ao presidente, que vai então bater o martelo sobre o formato da operação.


A pedido do presidente, a equipe econômica deve apresentar esse modelo nas próximas semanas para lançamento ainda em junho. A intenção de lançar a nova linha foi confirmada nesta quarta-feira (3) pela ministra Miriam Belchior (Casa Civil) durante a reunião ministerial com Lula.


"Temos uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos", disse.


Os detalhes sobre valores, taxas de juros e demais condições do financiamento ainda não estão fechados, mas, segundo um integrante do governo envolvido nas discussões, o montante disponibilizado para os empréstimos deve ficar bem abaixo dos R$ 30 bilhões ofertados aos motoristas de aplicativo e taxistas.


O diagnóstico do governo é que o preço de uma motocicleta é bem menor do que o tíquete médio de um carro. Enquanto o Executivo precisou autorizar um financiamento de até R$ 150 mil na linha para motoristas, um crédito de R$ 10 mil a R$ 20 mil pode ser suficiente para entregadores adquirirem uma moto, mesmo que seja um modelo elétrico.


Além disso, um interlocutor aponta que o número de motoristas por aplicativo é maior do que o de entregadores. Ou seja, além de um crédito menor, menos pessoas precisariam acessar a linha. A ideia é restringir a política a uma compra por CPF.


Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024. Desse total, 58,3% (ou 964 mil) exerciam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte, incluindo os de táxi. Outros 29,3% (ou 485 mil) eram trabalhadores de aplicativos de entrega.


A linha para entregadores é um desejo do presidente desde o ano passado, mas, segundo interlocutores, a reunião de segunda serviu para alinhar os órgãos do governo em torno da apresentação de uma proposta. Os detalhes estão sendo discutidos por Fazenda, Planejamento e MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).


Escalado para negociação entre trabalhadores e aplicativos, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, também participa da discussão, além da Casa Civil.


O governo tem apostado no lançamento de linhas subsidiadas de crédito para conceder bondades a diferentes públicos sem impacto relevante nas regras fiscais, como o arcabouço (que limita o crescimento de despesas) e a meta de resultado primário (que obriga a equipe econômica a perseguir um saldo entre receitas e despesas).


As medidas foram lançadas sob a justificativa de socorrer segmentos econômicos impactados pela alta do petróleo (setor aéreo) e pela desaceleração da atividade (caminhões), ou ainda promover políticas sociais, como baratear a compra da casa própria, facilitar reformas habitacionais e viabilizar a compra ou troca do carro para os motoristas —muitos dos quais, segundo o governo, não têm veículo próprio e precisam arcar com aluguel.


Nas últimas semanas, o Executivo disponibilizou até R$ 107,5 bilhões em recursos federais para essas linhas de crédito, sem considerar o novo crédito para entregadores. Como mostrou a Folha, os empréstimos geram um custo implícito de ao menos R$ 27,25 bilhões, devido às taxas de juros reduzidas, o que contribui para elevar a dívida pública.


Aliados do presidente negam motivação eleitoreira para a adoção do chamado pacote de bondades, sob o argumento de que o governo não para de funcionar em período pré-eleitoral. É o que disse à Folha o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.


"O pacote não é eleitoral, mas o necessário para aquecer a economia e proteger os trabalhadores brasileiros dos impactos da guerra entre [o presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump e o Irã nos combustíveis e tirar um pouco do sufoco que as famílias estão sofrendo com o endividamento. O país não deixa de ter governo por causa do período eleitoral."


Pesquisas de opinião apontam que a maior dificuldade para Lula e seu principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está na faixa etária entre 16 e 24 anos. Segundo o Datafolha, Lula alcança 35% das intenções de voto do eleitorado jovem contra 28% do senador, quando a pesquisa é estimulada (com apresentação de candidatos).


Na espontânea, sem citação prévia de nomes, Lula obtém 17% entre os jovens, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é mencionado por 11% desse segmento.


Colaborou Mariana Brasil


Fonte: Política Livre




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