09/06/2026
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio, acumulado nos últimos 12 meses, deve ficar em 4,6%, de acordo com as previsões do Ministério da Fazenda, divulgadas pelo Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica. Este índice é calculado pelo IBGE e será conhecido oficialmente no dia 10 de junho. O INPC de maio dará a base para as negociações dos acordos coletivos e das convenções coletivas de trabalho na Campanha Salarial 2026 do Sinsaúde. A data-base da categoria é 1º. de junho.
Na pauta de reivindicações, os trabalhadores pedem aumento real nos salários de 5% acima do INPC, o que equivalerá a um reajuste de 9,6%. A categoria também busca aumento real no vale-cesta ou auxílio-alimentação, que é uma conquista da luta sindical.
“O nosso sucesso vai depender da força e pressão que os trabalhadores colocarem sobre os patrões. A inflação tem corroído o poder de compra das famílias e é preciso valorizar a categoria oferecendo um salário digno”, afirma a vice-presidente do Sinsaúde, Juliana Machado.
Segundo dados oficiais, o INPC começou a subir gradativamente a partir de janeiro, pressionado pelo preço da cesta de alimentos que sobe por causa da alta nos combustíveis e fertilizantes, devido aos tarifaços e às guerras dos EUA e Israel contra o Irã. Mesmo assim, foi menor que o 5,20% do ano passado.
Mas não é somente o INPC que deve ser levado em consideração nas negociações. Para o diretor de Assuntos Jurídicos do Sinsaúde, Paulo Gonçalves, os salários dos trabalhadores da saúde precisam ser valorizados, assim como os planos de saúde são valorizados. De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a média do reajuste dos planos coletivos de saúde foi de 9,9% este ano. “O trabalhador da saúde precisa ganhar um salário decente para não precisar trabalhar em dois empregos e ter mais qualidade de vida”, afirma.
Para se ter uma ideia de comparação, segundo estudos do Dieese, o salário mínimo pago atualmente é insuficiente para cumprir a meta constitucional de manter uma família de quatro pessoas com alimentação, vestuário, moradia, saúde, educação, higiene, transporte e lazer. Os atuais R$ 1.874,36 do salário mínimo paulista dariam apenas para uma pessoa. O salário mínimo ideal para a manutenção de uma família deveria ser, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), de R$ 7.612.40, ou seja, 4 vezes maior que o mínimo paulista.
Alimentos
O valor da cesta básica de alimentos é calculado mensalmente pelo Dieese em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O levantamento em abril apontou um aumento no valor em 27 estados.
São Paulo apresentou o maior custo (R$ 906,14), um aumento de 7,12% no valor dos itens que compõem a cesta de janeiro a abril. O valor da cesta de alimentos paulista equivale a mais do que a metade do salário mínimo nacional, de R$ 1.621, e cerca de 48% do salário mínimo paulista, que é R$ 1.874,36.
Os itens pesquisados estão estipulados pelo Decreto Lei 399, de 1938. Veja a tabela.
Fonte: Dieese
| Data | Variação | Variação no Período | Acumulado 12 meses |
|---|---|---|---|
| 05/2025 | 0.35% | 0.35% | 5.2014% |
| 06/2025 | 0.23% | 0.58% | 5.1804% |
| 07/2025 | 0.21% | 0.79% | 5.1280% |
| 08/2025 | -0.21% | 0.58% | 5.0543% |
| 09/2025 | 0.52% | 1.10% | 5.0961% |
| 10/2025 | 0.03% | 1.13% | 4.4902% |
| 11/2025 | 0.03% | 1.16% | 4.1778% |
| 12/2025 | 0.21% | 1.38% | 3.8979% |
| 01/2026 | 0.39% | 1.77% | 4.3031% |
| 02/2026 | 0.56% | 2.34% | 3.3575% |
| 03/2026 | 0.91% | 3.27% | 3.7688% |
| 04/2026 | 0.81% | 4.11% | 4.1096% |
Fonte: IBGE
UGT - União Geral dos Trabalhadores