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Menos horas, mais produtividade: experiência internacional derruba mito de que reduzir jornada prejudica a economia


17/06/2026

Fonte: UGT-SP

A ideia de que reduzir a jornada de trabalho levaria automaticamente à queda da produtividade e ao enfraquecimento da economia não encontra respaldo nas evidências internacionais. Estudos acadêmicos, organismos multilaterais e experiências recentes na América do Sul mostram que trabalhar menos não significa produzir menos.


Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que os países mais produtivos do mundo não são, necessariamente, aqueles onde se trabalha mais horas. Na verdade, economias desenvolvidas costumam combinar jornadas menores com níveis elevados de produtividade por trabalhador. A própria OCDE destaca que o número de horas trabalhadas varia significativamente entre os países, sem relação direta com o desempenho econômico. Países com jornadas mais curtas frequentemente apresentam maior produtividade por hora trabalhada.


Pesquisas internacionais reforçam essa conclusão. Um estudo do Instituto IZA, da Alemanha, que analisou reformas de redução da jornada em diversos países, concluiu que a diminuição do tempo de trabalho não produz, em regra, efeitos negativos relevantes sobre emprego e salários, ao mesmo tempo em que amplia o bem-estar dos trabalhadores.


Experimentos com semanas reduzidas também apontam resultados positivos. Um levantamento internacional com 141 empresas e quase 2.900 trabalhadores mostrou que a redução da jornada foi acompanhada de manutenção da produtividade, melhora na saúde mental e diminuição do burnout. Ao final do estudo, cerca de 90% das empresas mantiveram o novo modelo.


Na América do Sul, o Chile é um dos principais exemplos. Em 2023, o país aprovou a redução gradual da jornada semanal de 45 para 40 horas, mantendo salários e direitos. A implementação começou em 2024 e seguirá até 2028. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI), em avaliação recente da economia chilena, considerou positiva a implementação da lei das 40 horas e apontou potencial para ganhos de produtividade decorrentes da reforma.


Além disso, estudos da Universidade de Talca, no Chile, indicam que a redução do tempo de trabalho não implica queda proporcional da produção, pois trabalhadores mais descansados tendem a ser mais eficientes e apresentar menor fadiga.


A Colômbia segue caminho semelhante. A Lei 2101, aprovada em 2021, reduziu gradualmente a jornada semanal de 48 para 42 horas sem redução salarial. Em julho de 2026, o país completará a transição para a nova jornada. O próprio texto legal determina que a redução ocorra sem prejuízo aos salários ou aos direitos adquiridos pelos trabalhadores.


Especialistas observam que, mesmo após a reforma, a jornada colombiana continuará acima da média dos países da OCDE, cuja média semanal gira em torno de 37 horas. Isso demonstra que jornadas menores são compatíveis com economias avançadas e competitivas.


Outros estudos internacionais reforçam a mesma tendência. Pesquisa da OCDE sobre a redução da jornada na Coreia do Sul identificou efeitos positivos sobre saúde e produtividade, sem impactos significativos sobre emprego e renda. As evidências acumuladas sugerem que a discussão sobre jornada de trabalho não deve ser reduzida a uma simples conta de horas. Em economias modernas, a produtividade depende cada vez mais de organização do trabalho, inovação, tecnologia e qualidade de vida. Trabalhadores menos exaustos adoecem menos, faltam menos e produzem melhor.


Nesse contexto, o debate sobre a redução da jornada no Brasil — incluindo o fim da escala 6x1 e a adoção de semanas mais curtas — está alinhado a uma tendência internacional. A experiência de países da América do Sul e do restante do mundo mostra que é possível conciliar crescimento econômico, competitividade e mais tempo para viver.


A mudança não significa colapso econômico como apregoam algumas lideranças. Afinal, desenvolvimento econômico não se mede apenas pelo número de horas trabalhadas, mas pela capacidade de gerar riqueza com dignidade, eficiência e justiça social.


Fonte: UGT-SP




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