25/06/2026
A presidente do SINTTEL-RN, Iara Martins, representou a FENATTEL durante a Audiência Pública realizada na Câmara dos Deputados, para debater as condições laborais dos trabalhadores e trabalhadoras do setor de teleatendimento e call center.
O debate reuniu parlamentares, representantes sindicais, especialistas e entidades ligadas ao mundo do trabalho para discutir os desafios enfrentados por uma das categorias mais importantes da economia digital brasileira. Atualmente, o setor emprega cerca de 900 mil trabalhadores diretos e indiretos em todo o país, sendo uma importante porta de entrada para jovens no mercado de trabalho e um dos segmentos que mais absorve trabalhadores LGBTQIAPN+.
Durante sua participação, Iara Martins destacou que a modernização tecnológica e a utilização de plataformas digitais de última geração transformaram profundamente a organização da produção no teleatendimento. No entanto, ressaltou que essa evolução não foi acompanhada pelo fortalecimento das garantias de proteção à saúde e às condições de trabalho dos profissionais do setor.
Segundo a dirigente sindical, a forma como o trabalho é organizado nos telecentros está na origem de grande parte dos problemas enfrentados pela categoria. Entre os principais fatores apontados estão a intensa pressão por metas, o monitoramento permanente da atividade, o ritmo acelerado de trabalho, a alta cobrança por resultados e a precarização decorrente da terceirização dos serviços.
Iara também chamou atenção para o elevado índice de adoecimento mental entre os trabalhadores de call center, classificando a situação como alarmante. Ela defendeu a necessidade urgente de estudos técnicos, medidas preventivas e do reconhecimento dos transtornos psicológicos relacionados ao trabalho como doenças ocupacionais quando comprovado o nexo causal.
Outro ponto abordado foi a baixa remuneração praticada no setor. A dirigente lembrou que somente em 2025 foi garantida a equiparação do piso salarial ao salário mínimo nacional, resultado de anos de mobilização sindical. Para ela, a construção de uma Convenção Coletiva Nacional pode ser um importante instrumento para reduzir desigualdades regionais e garantir melhores salários e benefícios.
A representante da FENATTEL também destacou problemas como a alta rotatividade da mão de obra, o assédio moral interno e externo, além dos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial e da gestão algorítmica nos ambientes de trabalho.
Propostas para humanizar o teleatendimento
Durante sua intervenção, Iara Martins apresentou propostas defendidas pela FENATTEL e pelos sindicatos filiados para melhorar as condições de trabalho no setor.
Entre elas estão:
Ao encerrar sua participação, a dirigente reforçou a importância da união dos sindicatos e trabalhadores em defesa da categoria e da construção de um marco regulatório moderno para o teleatendimento brasileiro.
A companheira Angélica do Sintetel também participou e esteve na mesa relatando a realidade vivida pelos teleoperadores.
“É preciso agir para mudar e humanizar o teleatendimento. Trata-se de uma atividade essencialmente feita por pessoas e para pessoas. E com gente é diferente”, afirmou.
Iara também fez uma saudação especial ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em 28 de junho, destacando a importância do respeito à diversidade, da inclusão e do combate a todas as formas de preconceito e violência no ambiente de trabalho.
Assista à audiência pública na íntegra:
https://www.youtube.com/live/BcKL4JdAsRQ?si=tmsKGyV1XMMI642c
UGT - União Geral dos Trabalhadores