06/07/2026
Os trabalhadores querem aumento real nos salários, acima da inflação de 4,42%.
A administração do Centro Médico de Campinas anunciou uma antecipação salarial de 3% aos trabalhadores da unidade referente à data-base de junho, mas o INPC acumulado nos últimos 12 meses foi de 4,42%. A diferença não é pequena, e a explicação do hospital para justificar o valor deixou de fora um detalhe importante: o Sinsaúde tentou negociar, e a administração recusou.
“O Sinsaúde não veio com uma lista de pedidos, veio com uma pauta construída pela própria categoria. Quanto mais unidos estivermos, mais força teremos para conquistar a valorização que os trabalhadores da saúde merecem”, afirma a diretora do Sinsaúde, Marcia Abou.
Em 22 de abril deste ano, o Sinsaúde entregou à administração do hospital a pauta de reivindicações aprovada pela categoria para abertura das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A resposta veio quase um mês depois, em 20 de maio, quando o Centro Médico informou por e-mail que já estava vinculado à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) firmada com o Sindhosp para o biênio 2026/2027 e que não havia necessidade de negociar diretamente com o Sinsaúde Campinas.
Hospital recusou negociar
A vice-presidente do Sinsaúde, Juliana Machado, foi direta. “O hospital pagou abaixo da inflação e ainda tentou colocar a culpa no Sindicato. Os trabalhadores do Centro Médico merecem saber a verdade: o Sinsaúde foi até a administração do hospital para negociar e a porta foi fechada. A categoria aprovou em assembleia uma pauta com 63 cláusulas, aumento real de 5% mais o INPC, cesta básica, vale-gás, entre outros benefícios. E enquanto a administração do hospital recusa negociar, os trabalhadores ficam sem esses direitos”, disse.
O Sinsaúde prioriza o ACT porque é o instrumento que permite negociar de forma direta com cada empregador, garantindo que as necessidades reais dos trabalhadores daquela unidade sejam contempladas. A Convenção Coletiva estabelece um piso e abrange milhares de estabelecimentos de saúde no Estado de São Paulo, mas não substitui o que uma negociação direta pode conquistar a mais para a categoria.
Vale lembrar que a própria Convenção Coletiva que abrange o Centro Médico só é fechada a partir das assembleias do Sindhosp com as empresas do setor. São os próprios hospitais que participam desse processo. Quando a administração do Centro Médico cobra agilidade das entidades representativas, ignora que a agilidade também depende de quem senta nessa mesa pelo lado patronal.
Ofício
Em ofício encaminhado ao Sindicato em outubro de 2025, o Centro Médico se comprometeu a cumprir as normas da CCT e pediu confirmação da entidade para garantir o alinhamento necessário. Na prática, a administração do hospital descartava naquele momento qualquer possibilidade de fechamento de um Acordo Coletivo na Campanha Salarial, mesmo após as tentativas de negociação por parte do Sinsaúde.
“Para garantir os direitos conquistados com muita luta, os trabalhadores devem se organizar e participar ativamente das negociações da Campanha Salarial. Esse é o momento de mostrar união”, afirma o diretor de Assuntos Jurídicos do Sinsaúde, Paulo Gonçalves.
UGT - União Geral dos Trabalhadores