16/07/2026
É inadmissível que, em pleno ano
de 2026, a sociedade ainda conviva com tantos casos de crianças vítimas de
espancamento, agressões, abusos e mortes dentro do próprio ambiente familiar. A
violência contra meninos e meninas, muitas vezes praticada por quem deveria ser
responsável por protegê-los, revela uma ferida profunda que precisa ser
enfrentada com firmeza pelo Estado, pelas instituições e por toda a sociedade.
As notícias recentes envolvendo a
morte de uma criança de apenas três anos, no Rio Grande do Sul, após agressões
praticadas pelo próprio pai, um missionário norte-americano, e o caso de outro
menino da mesma idade, espancado pelo pai em Francisco Beltrão, no Sudoeste do
Paraná, causam indignação e revolta. São histórias diferentes, mas que possuem
um ponto em comum: a violência doméstica e uma estrutura familiar marcada pelo
medo, pela opressão e pela ausência de um ambiente seguro para o desenvolvimento
dessas crianças.
No caso do menino morto no Rio
Grande do Sul, a mãe relatou que também era vítima de violência doméstica. O
agressor, um homem de apenas 33 anos, reproduziu dentro de casa uma lógica
perversa em que a força física, o controle e a imposição do medo substituem o
diálogo, o cuidado e o respeito.
Esses episódios não podem ser
tratados como casos isolados. Eles fazem parte de uma realidade em que a
cultura paternalista, a ideia equivocada de superioridade masculina e a chamada
masculinidade tóxica alimentam ciclos de violência que atingem não apenas
crianças, mas também mulheres, idosos e outros grupos vulneráveis.
A violência contra uma criança
quase nunca começa nela. Muitas vezes, ela nasce em ambientes onde a
agressividade é naturalizada, onde o autoritarismo é confundido com autoridade
e onde relações de poder são estabelecidas pelo medo. O mesmo pensamento que
transforma mulheres em vítimas de violência doméstica, que desrespeita idosos e
que permite diversas formas de abuso precisa ser combatido diariamente.
A União Geral dos Trabalhadores
(UGT) reafirma que sua atuação vai muito além das pautas tradicionais do mundo
do trabalho. O movimento sindical brasileiro possui um papel histórico na
construção de uma sociedade mais justa, participando ativamente da formulação e
do aprimoramento de políticas públicas em diversas áreas.
As centrais sindicais, como a
UGT, contribuem para debates e ações relacionadas à saúde, segurança pública,
transporte, moradia, direitos humanos e proteção social. Um exemplo dessa
atuação é a participação do movimento sindical na construção de políticas
nacionais de enfrentamento ao tráfico de pessoas, que contribuiu para a criação
da Lei nº 13.344/2016. O movimento sindical está presente nas mais diversas
áreas como saúde, educação, moradia, segurança pública, entre outros sempre por
meio da participação em Conselhos, Comissões, Conferências, Fóruns e
Articulações.
Essa atuação demonstra que
defender trabalhadores e trabalhadoras significa também defender suas famílias,
suas comunidades e uma sociedade onde todas as pessoas possam viver com
dignidade e segurança.
Para romper definitivamente com a
cultura da violência, do chamado “macho alfa” e de um sentimento distorcido de
posse e pertencimento dentro das relações familiares, é fundamental investir na
educação. É na formação das crianças e dos jovens que construímos novos valores
baseados no respeito, na igualdade, na empatia e na resolução pacífica dos
conflitos.
Educar para a não violência é uma
das maiores ferramentas de transformação social. Precisamos ensinar que cuidar
não é controlar, que autoridade não é agressão e que amor jamais pode ser
associado ao medo.
A UGT manifesta sua solidariedade
às famílias vítimas dessas tragédias e reafirma seu compromisso com a defesa da
vida, da infância, da dignidade humana e com a construção de um Brasil onde
nenhuma criança tenha sua vida marcada pela violência.
Toda criança tem direito à
proteção, ao cuidado e a crescer em um ambiente seguro. A sociedade não pode
mais aceitar que o silêncio seja cúmplice da violência.
Ass.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores
UGT - União Geral dos Trabalhadores