21/07/2026
A redução da jornada de trabalho pode representar um importante avanço para a qualificação profissional dos jovens brasileiros. É o que aponta o boletim Emprego em Pauta nº 32, divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que destaca o potencial da medida para ampliar o acesso à educação sem comprometer a renda dos trabalhadores.
Segundo o levantamento, a jornada média dos trabalhadores com vínculo celetista foi de 41 horas e 32 minutos semanais em 2024, e cerca de 75% dos empregados formais trabalhavam mais de 40 horas por semana. Em setores como agropecuária, construção civil e comércio, esse percentual supera 90%, evidenciando a predominância das longas jornadas no mercado de trabalho brasileiro.
De acordo com o DIEESE, a elevada carga horária reduz o tempo disponível para estudo, capacitação e desenvolvimento profissional. Com a adoção de uma jornada semanal de 40 horas, estima-se que até 425 mil jovens entre 18 e 29 anos poderiam conciliar trabalho formal e estudos, ampliando suas perspectivas de qualificação e crescimento na carreira.
O estudo também destaca que trabalhadores submetidos a jornadas superiores a 40 horas tendem a apresentar menor escolaridade. Já entre aqueles com ensino superior completo, as jornadas mais extensas são menos frequentes, indicando uma relação entre maior qualificação e melhores condições de trabalho.
Outro dado apontado pelo boletim mostra que a remuneração média dos trabalhadores com jornada de 40 horas semanais é 117% superior à daqueles que cumprem jornadas entre 41 e 44 horas. Para o DIEESE, isso demonstra que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, receber salários maiores, reforçando a importância de políticas que combinem redução da jornada, valorização salarial e aumento da produtividade.
A publicação lembra ainda que a redução da jornada é uma reivindicação histórica da classe trabalhadora. Um marco importante ocorreu com a Constituição Federal de 1988, que reduziu a jornada máxima de 48 para 44 horas semanais sem provocar prejuízos à economia brasileira. Atualmente, o debate voltou ao centro das discussões com propostas legislativas que defendem a jornada de 40 horas semanais e o fim da escala 6x1, preservando os salários e ampliando o direito ao descanso.
CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA DO BOLETIM
UGT - União Geral dos Trabalhadores