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Padre Júlio Lancellotti alerta para impactos das mudanças climáticas na população de rua e propõe parceria com centrais sindicais


05/08/2026

As consequências das mudanças climáticas e os desafios enfrentados pela população em situação de rua foram o centro das discussões do episódio desta terça-feira do Conducast, apresentado por Francisco Xavier da Silva Filho, o Chiquinho. O convidado foi o Padre Júlio Lancellotti, vigário episcopal da Pastoral do Povo da Rua na Arquidiocese de São Paulo e pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo, na Mooca.


O programa contou ainda com a participação de Cleonice Caetano, vice-presidente da UGT, e José Carlos, representante do Comitê de Aconselhamento sobre Álcool e Drogas do Sindicato dos Comerciários de São Paulo. Durante a gravação, o presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, conversou com o religioso sobre os impactos da crise climática no Brasil.


Padre Júlio manifestou grande preocupação com a intensificação dos eventos climáticos extremos e os efeitos da chegada do El Niño, que, segundo ele, poderá agravar ainda mais as desigualdades sociais. "O El Niño vai trazer diferentes efeitos no Norte e no Nordeste. Teremos secas severas e grandes crises hídricas, que afetarão diretamente a produção de alimentos no Brasil", alertou.


O sacerdote destacou que a população em situação de rua será uma das mais vulneráveis diante das ondas de calor extremo. Segundo ele, o Brasil já ultrapassa 300 mil pessoas vivendo nas ruas, sendo que São Paulo concentra a maior parcela desse contingente, podendo chegar a cerca de 100 mil pessoas.


"Quero levantar a questão dos efeitos do El Niño para as pessoas em situação de rua e também para os trabalhadores e trabalhadoras que exercem suas atividades em vias públicas. Estamos realizando, por meio do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Padre Ezequiel Ramin, uma pesquisa em parceria com a Open Society sobre justiça climática diante dessa crise ambiental. Minha preocupação é como essas pessoas enfrentarão temperaturas cada vez mais altas", afirmou.


Padre Júlio lembrou que cidades como Barcelona, Madri, Roma e Paris já enfrentaram episódios críticos provocados pelo calor extremo e alertou que São Paulo ainda não possui infraestrutura suficiente para enfrentar esse cenário. Entre os principais problemas apontados estão a escassez de bebedouros públicos, a falta de banheiros públicos e de locais apropriados para hidratação da população mais vulnerável.


Diante desse quadro, o religioso propôs que a UGT e as demais centrais sindicais unam esforços para defender a implantação de uma rede de pontos públicos de hidratação, garantindo acesso gratuito à água potável tanto para pessoas em situação de rua quanto para trabalhadores expostos ao sol durante a jornada.


Ricardo Patah concordou com a necessidade de antecipar medidas diante dos efeitos das mudanças climáticas. O dirigente sindical destacou que o calor extremo já provoca consequências graves em diversos países europeus e que o Brasil precisa se preparar para enfrentar uma realidade semelhante, protegendo especialmente os segmentos mais vulneráveis da população.


Como medida prática, Padre Júlio sugeriu a distribuição de garrafas reutilizáveis e a instalação de pontos estratégicos de abastecimento de água em diferentes regiões da cidade, permitindo que as pessoas possam se hidratar com dignidade. Para ele, o enfrentamento da crise climática exige ações imediatas e articuladas entre o poder público, entidades da sociedade civil e o movimento sindical.


"Estamos atrasados nessa discussão, mas ainda há tempo de agir. Precisamos colocar a vida das pessoas no centro das políticas públicas e construir respostas concretas para uma realidade que já está entre nós", concluiu o sacerdote.




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