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O fim da escala 6x1: uma conquista dos trabalhadores e de toda a sociedade


15/10/2026

O fim da escala 6x1 representa muito mais do que uma mudança na jornada de trabalho. É a conquista de um direito fundamental: o direito de viver além do trabalho. É garantir que milhões de brasileiros e brasileiras tenham mais tempo para descansar, cuidar da saúde, estar com a família e fazer aquilo que realmente desejam.

Um dia a mais de descanso significa liberdade. Liberdade para as mães ficarem mais tempo com seus filhos, acompanharem seu crescimento e participarem de suas vidas. Para quem estuda, significa mais tempo para se dedicar à educação e buscar novas oportunidades. Para quem precisa complementar a renda, pode representar a possibilidade de fazer um trabalho extra. E, para tantos outros, significa ir a um parque, assistir a uma peça de teatro, ir ao cinema, viajar ou simplesmente não fazer absolutamente nada. Sim, porque descansar também é um direito, e ninguém precisa justificar o que faz com seu tempo livre.

Essa conquista beneficia toda a sociedade. Mais tempo livre significa mais oportunidades de convivência, cultura, lazer e consumo. O turismo, por exemplo, também pode ser impulsionado, com mais pessoas viajando, conhecendo destinos e movimentando hotéis, restaurantes, transportes e o comércio. Quando o trabalhador ganha qualidade de vida, a sociedade inteira tem a ganhar.

A UGT e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo defenderam essa proposta desde o início, porque entendemos que não existe desenvolvimento verdadeiro quando milhões de pessoas não têm tempo para viver. Como presidente dessas duas entidades, participei de atos, estive em reuniões e, ao lado de companheiros e companheiras do movimento sindical, fui a Brasília para dialogar diretamente com os parlamentares. Batemos de porta em porta, buscamos apoio, apresentamos argumentos e mostramos a importância dessa mudança para a vida de quem trabalha.

Fizemos isso mesmo diante de um cenário político difícil e de um Senado em que encontramos resistência a pautas de interesse da classe trabalhadora. Não recuamos. Fomos conversar com os parlamentares, independentemente de suas posições, porque nosso compromisso é com os trabalhadores e trabalhadoras. Acreditamos que é papel do movimento sindical pressionar, negociar, mobilizar e insistir até que as reivindicações históricas avancem. Essa trajetória demonstra que direitos não caem do céu: são fruto de organização, persistência e luta coletiva.

Precisamos reconhecer o papel do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução dessa pauta. Em um momento eleitoral, é importante que a população compreenda que decisões políticas têm consequências concretas na vida das pessoas. A redução da jornada e o fim da escala 6x1 são parte de uma agenda que busca melhorar as condições de vida da classe trabalhadora. Reconhecer essa participação não diminui o protagonismo dos trabalhadores nem a importância da mobilização sindical; ao contrário, mostra que as conquistas acontecem quando a luta social encontra espaço para avançar nas decisões políticas.

Não estamos falando de privilégios. Estamos falando de dignidade, saúde, convivência familiar e do direito de aproveitar a vida. O trabalhador não pode existir apenas para trabalhar, produzir e pagar contas. Ele precisa ter tempo para viver.

O fim da escala 6x1 é uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras, uma conquista do movimento sindical e um avanço para toda a sociedade. Porque trabalhar é necessário, mas viver também é!


Ricardo Patah — presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP)




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