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ARTIGOS

Luiz Carlos Motta
Deputado federal (PR/SP), em exercício. Presidente da Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo (Fecomerciários) e presidente licenciado da UGT-SP.


Mortes de comerciários podem ter sido agravadas pela pandemia


13/09/2021

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) está divulgando um levantamento comparativo sobre o número de comerciários mortos no Brasil, com dados que muito nos preocupam. O estudo mostra que, no primeiro semestre do ano passado, morreram 31 mil comerciários em todo o Brasil, sem citar as causas e a divisão por gêneros. Esse número aumentou em 87% no mesmo período este ano, ou seja, atingiu  57.862 vidas. Para chegar a essa constatação foram considerados os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e contabilizados os trabalhadores com carteira assinada que foram desligados por morte. Em São Paulo a alta foi de 108% em 2021.

Pandemia

Embora a pesquisa não indique as causas das mortes dos comerciários, é possível constatar que a pandemia da Covid-19 causou forte impacto nesses números. Isso porque os meses de janeiro e fevereiro deste ano tiveram mais registros de desligamentos do que os meses de janeiro e fevereiro do ano passado, período anterior à pandemia. Em janeiro de 2020 foram 4.599 desligamentos por morte, sendo que em janeiro deste ano 6.503. Já em fevereiro do ano passado foram 4.085 desligamentos e em fevereiro deste ano, 5.851. Abril de 2021 foi marcado como o mês com maior número de contratos encerrados em decorrência da morte de comerciários, com 11.963 desligamentos. Este número representa mais do que o dobro do registrado em abril de 2020. As mortes aumentaram 99% entre os trabalhadores no atacado e 92% no varejo, ainda segundo os dados do CAGED, levantados pelo Dieese.

Funções

Entre as funções onde as mortes ocorreram em maior número, o vendedor de comércio atacadista aparece na triste liderança com elevação de 204%. Foram registradas 739 mortes de vendedores atacadistas no primeiro semestre de 2020 e 1.601 no mesmo período em 2021. Em seguida vem assistente administrativo (subiu de 104 para 231) e auxiliar de escritório (subiu de 158 para 350), ambos com a mesma alta: 122%. Motorista de caminhão, outra função que também está na linha de frente das operações, registrou um aumento de 121% no número de óbitos (subiu de 245 para 541). A ocupação que menos contabilizou desligamentos por mortes foi a de recepcionista (subiu de 30 para 42), seguida de atendentes de lanchonete (de 42 para 64). Se somarmos mês a mês, todos os desligamentos por mortes de comerciários em todo o Brasil, de janeiro de 2020 a junho de 2021, teremos o trágico número de 121.674, o que corresponde à população de um grande número de cidades brasileiras.

Alertas

Desde o início da pandemia (que pode ter contribuído para o aumento destas mortes) venho alertando sobre os constantes desrespeitos aos protocolos sanitários por parte de uma parcela de empresários que não respeita o distanciamento, não fornece máscaras e nem material para a higienização das mãos de funcionários e da clientela. Tenho explicado, em vários fóruns, que os comerciários, a maior categoria de trabalhadores urbanos do país, com 12 milhões de pessoas, estão na linha de frente mexendo com mercadorias, dinheiro e cartões e, portanto, com maior risco de contaminação pelo Coronavírus. Também solicitei várias vezes ao Governo Federal a inclusão dos comerciários na lista de prioridades para vacinação, com o objetivo de poupar as vidas desses trabalhadores, de seus familiares e dos clientes. A categoria, atuante nos serviços essenciais, continuou trabalhando inclusive durante os períodos mais críticos da pandemia.  Com certeza, se as providências solicitadas tivessem sido adotadas em todo o País, esses números não teriam atingido esse trágico patamar. É lamentável a insensatez daqueles que deveriam tomar atitudes para salvar vidas e se omitiram!




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