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Investidores da Bolsa pisam no freio após embate entre Bolsonaro e Maia


25/03/2019

Exterior também piora, mas ainda não afeta ganho do ano, que depende da Previdência

 

A briga política travada entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já custa caro a investidores: 7.000 pontos do Ibovespa, o principal índice do mercado acionário brasileiro, em apenas três dias.

 

E o posicionamento do pequeno investidor por manter, vender ou comprar ações daqui para frente dependerá da revisão das próprias expectativas sobre a viabilidade da reforma da Previdência após a turbulência política.

 

"A situação da reforma é muito mais frágil do que o mercado imaginava. A piora foi muito rápida", afirma Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos.

 

"A realidade não era o que a gente estava vendo no começo da semana [passada]", acrescenta Michael Viriato, professor de finanças do Insper.

 

Antes de despencar do recorde de quase 100 mil pontos para os atuais 93 mil, investidores tinham a sensação de que a Bolsa brasileira iria em uma linha reta de valorização, avalia Viriato.

 

O ganho do ano, porém, não está completamente perdido. A queda entre quarta (20) e sexta-feira (22) foi de 5,9%, mas desde o início de 2019 o índice Ibovespa ainda acumula ganho de 6,7%.

 

Viriato se considera entre o grupo de conservadores e projeta que o Ibovespa poderá terminar o ano ao redor de 110 mil pontos. Representaria uma valorização de 25% no ano e de 17% ante o fechamento de sexta, mas é preciso que a reforma saia.

 

Projeções otimistas chegaram a apontar o Ibovespa em 140 mil pontos em dezembro.

 

"Esse é o momento de fazer posição. Ninguém ganha dinheiro em dia bonito. Quem comprou na segunda [quando a Bolsa bateu pela primeira vez os 100 mil pontos] perdeu dinheiro", afirma Candido.

 

Fazer posição, no jargão do mercado, é comprar ou vender um ativo baseado em suas expectativas futuras.

 

Resumindo: quem acredita que a reforma passará poderia comprar ações, enquanto o investidor pessimista após a crise deveria vendê-las. Isso seguindo a avaliação majoritária do mercado de que apenas as novas regras para aposentadoria serão capazes de fazer a economia crescer.

 

Após o dominó de notícias frustrantes —como a proposta de reforma dos militares, a queda de popularidade de Bolsonaro e a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB)—, o mercado financeiro começou a questionar a viabilidade de aprovação das novas regras para a aposentadoria.

 

A dúvida é ainda maior sobre a economia necessária —o projeto prevê corte de R$ 1,1 trilhão em dez anos.

 

O medo de que a disputa política coloque tudo a perder levou a uma enxurrada de declarações de economistas e analistas do mercado financeiro, em público e privado, até mesmo com comparações entre Bolsonaro e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

 

"Esse choque é educativo: se o governo não aprender com isso, o mercado vai rever posições", diz Candido. Essa é a pressão para que o presidente ceda na queda de braço com o presidente da Câmara.

 

No sábado (23), Bolsonaro e Maia continuaram o bate-boca sobre a responsabilidade de articulação da reforma. 

 

Para o presidente, seu papel está cumprido ao submeter o texto ao Congresso, enquanto Maia afirma que há terceirização de responsabilidade. Neste domingo (24), o líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo, se reuniu com Bolsonaro para uma reaproximação.

 

Analistas lembram que, além da deterioração do cenário doméstico, no exterior a virada também foi rápida.

 

Na quarta, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) sinalizou que a desaceleração americana já justifica a manutenção dos juros do país entre 2,25% e 2,5%. Depois, dados da economia alemã ajudaram a disseminar o pânico de recessão global. 

 

A possível crise apareceu na inversão da curva de juros dos EUA, o que ocorre quando os juros de longo prazo ficam abaixo dos de curto prazo. 

 

Mantida a inversão, é um indicativo de que a economia do país passará por uma recessão, com risco de contágio. Com ou sem reforma, o Brasil não passaria incólume.

 

MINIMIZE OS RISCOS NA BOLSA DE VALORES

Para quem já é investidor

Aplicações devem mirar longo prazo, portanto a crise não deveria levar a uma mudança de estratégia do investidor

 

Comprar: é para quem acredita que a desvalorização recente não se sustentará e que a Bolsa agora está barata

 

Vender: recomendado apenas para quem vê uma piora de longo prazo na economia

 

Manter: investidor vê turbulência no curto prazo e não se dispõe a correr mais riscos, mas vê melhora na economia no longo prazo

 

O investidor que, após a queda recente, está no prejuízo, também deveria manter o investimento para recuperar o valor aplicado

 

919 mil são os investidores pessoa física com aplicações na Bolsa brasileira

 

Para quem não investe em Bolsa

 

O investidor só deve entrar na Bolsa agora se acreditar que a crise é passageira. Ele também deve acreditar que o mercado chegou a uma espécie de piso e que não irá cair muito antes de se recuperar

 

Aplicações devem ser feitas mirando o longo prazo e não as oscilações trazidas pela turbulência política

 

5%

é o percentual do patrimônio que um investidor de perfil moderado poderia investir em ações

 

Como minimizar riscos na Bolsa

 

Diversifique

Especialistas recomendam um portfólio de pelo menos cinco ações, de segmentos distintos da economia. Compare recomendações de papéis de diversas corretoras e casas de análises

 

Delegue a tarefa

É possível investir por meio de fundos de ações, que têm gestores contratados para escolher as ações e acompanhar as oscilações de mercado para tomar as melhores decisões

 

Siga o fluxo

É possível investir em fundos de índice (ETFs), que acompanham a movimentação dos índices da Bolsa, como o Ibovespa. Como têm gestão passiva, os custos são menores

 

11,36% é o ganho acumulado no ano de fundos de ações livres, segundo a Anbima (associação do mercado de capitais)

 

Fonte: Folha de SP




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