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MG tem 166 mil casos prováveis de dengue e declara emergência


30/04/2019

Sentindo dor na parte de trás dos olhos e fraqueza desde sábado (27), a supervisora técnica de academia Vanessa Duarte, 26, resolveu procurar um posto de saúde nesta segunda (29) por suspeita de dengue.

 

Além de ter contraído a doença no ano passado, ela conta que agora tem três colegas de trabalho já diagnosticados e quatro pessoas na família do noivo, incluindo ele. Segundo Vanessa, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde vivem, há muitos mosquitos nas casas. 

 

"Eu vim mais pra ver se estou mesmo [com dengue], mas qualquer um fica com receio, ainda mais sabendo que pessoas perto de casa morreram", disse ela em uma unidade de saúde em Belo Horizonte.

 

Entre janeiro e abril de 2019, Minas Gerais registrou 165.853 casos prováveis de dengue, um aumento de 921,4% em relação ao mesmo período de 2018, ano de baixa da doença. Foram confirmadas 21 mortes pelo vírus e há 66 casos sob investigação. 

 

A doença tem ciclos sazonais, e a cada três ou quatro anos um dos tipos do vírus acaba predominando. Na epidemia de 2016, a maioria dos casos registrados eram do tipo 1. Este ano, são do tipo 2, que pode ser mais grave.

 

"Como o ano de 2019 já apresenta similaridade, em relação aos números de casos notificados, com anos epidêmicos, o estado está em alerta e tomando todas as medidas cabíveis e desempenhando ações para o controle da dengue", diz a coordenadora estadual do Programa de Controle das Doenças Transmitidas pelo Aedes, Márcia Ooteman.

 

Há uma semana, a gestão Romeu Zema (Novo) declarou situação de emergência em saúde pública em alguns municípios para mobilizar rapidamente recursos para combater o mosquito transmissor, o Aedes aegypti.

 

No sábado (27), o governo publicou uma resolução liberando R$ 4,2 milhões para ações de enfrentamento da dengue em 107 municípios com incidência alta ou muito alta da doença.

 

Segundo prefeitos de regiões afetadas, porém, os atrasos nos repasses do governo para a área da saúde têm dificultado a ação das redes de atendimento. A Secretaria de Saúde diz trabalhar para colocar os pagamentos em dia.

 

Em Belo Horizonte, onde a dívida é de cerca de R$ 1 bilhão, segundo o prefeito Alexandre Kalil (PHS), foram confirmados 6.280 casos e há 18.894 pendentes de análise. No fim de semana, foi inaugurado um centro de atendimento à dengue em um dos bairros para atender a demanda.

 

Para a cidade de Betim, a 33 km da capital, o valor atrasado de pagamentos de 2017 a 2019 chega a R$ 42 milhões. A cidade é a segunda em número de mortes por dengue confirmadas: sete até o momento. 

 

"A falta de repasses aos municípios acaba fazendo com que investimentos na prevenção não sejam tão eficazes", diz Hilton Soares de Oliveira, secretário-adjunto de Assistência em Saúde de Betim.

 

Clediana Souza Santos, 37, esperava havia três horas por atendimento em uma unidade de pronto atendimento (UPA). No seu bairro, conhece quatro pessoas com dengue. 

 

A Secretaria Estadual de Saúde afirma que 80% dos focos de transmissão estão em residências. "Em casa, eu sempre olho [se tem água parada], mas a gente não sabe como é na rua. A prefeitura nunca passou com carro de fumaça", diz ela.

 

Betim criou um centro de hidratação para atender pessoas com sintomas da dengue e reforçou os turnos das UPAs. Pessoas com suspeita da doença são a maioria na espera das unidades de saúde.

 

Com a pele marcada por manchas vermelhas, por volta das 16h30, Sharla, 14, contou à Folha que esperava desde às 9h30 por atendimento.

 

A adolescente disse que se consultou na semana passada, relatou perda de sangue na urina para o médico, e foi mandada para casa.

 

“Da minha família, tem duas pessoas [com dengue]. Eu vim porque estava com muita dor de cabeça, fiz exame de sangue e [o médico] disse que estava começando. Hoje voltei porque não consegui nem dormir”, conta.

 

Ari Gonçalves Ferreira Filho, 57, vigia, desempregado, diz que esperou atendimento das 12h às 19h em um dos locais na semana passada e desistiu. Voltou nesta segunda porque se sentiu pior. “Melhorou e depois piorou de novo, dor de cabeça e nas costas”.

 

Até 30 de março, Minas era o quinto estado com maior incidência da doença em 2019, com 387,8 casos a cada 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde, atrás de Tocantins (687,4), Mato Grosso do Sul (518,6 casos), Goiás (479) e Acre (467,9).

 

Fonte: Folha de S.Paulo


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