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Recuperação do crédito não deve elevar endividamento


24/07/2017

A retomada do crédito no país ainda depende de sinais mais vigorosos de recuperação da economia brasileira, mas não deve provocar inflexão imediata no atual grau de endividamento das famílias, que se encontra no menor nível desde junho de 2007.

 

O indicador do Banco Central que mede o estoque de crédito no sistema financeiro vem caindo consistentemente desde março de 2013 e, em abril, se situou em 23,18%.

 

Essa queda pode ser atribuída a alguns fatores, entre eles a menor propensão dos bancos a dar empréstimos por condições econômicas adversas -como desemprego e inadimplência- e uma baixa intenção dos consumidores de tomar crédito diante de perspectivas ruins de emprego e renda.

 

Há também o efeito da queda dos juros -nos últimos nove meses, a taxa básica da economia recuou de 14,25% para os atuais 10,25%. O mercado enxerga novo corte de um ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) de quarta (26).

 

Novas dívidas contratadas teriam juros menores, reduzindo ainda mais o estoque de crédito. Maurício Molon, economista-chefe do Santander Brasil, vê espaço para que o indicador caia para 20% até meados do próximo ano.

 

"O comprometimento de renda deve acelerar a queda, tendo em vista que o BC continua cortando juros e existe uma certa defasagem entre o corte e o seu reflexo no custo do estoque da dívida", diz.

 

No BNP Paribas, a queda estimada é para 19%, em um cenário em que a taxa de juros terminará o ano a 8%. "A recuperação do mercado de trabalho entra de forma gradual", afirma Gustavo Arruda, economista do banco.

 

"Quando a atividade está bem, todo o mundo quer emprestar. Quando está devagar, demora-se para emprestar. A recuperação vai acontecer e vai ser mais forte do que as pessoas imaginam."

 

RENDA COMPROMETIDA

 

Se o estoque de crédito vai bem, a parcela comprometida com dívidas não reage com a mesma velocidade. Esse indicador, que mede o percentual da renda familiar destinado ao pagamento de juros e amortização do valor principal dos empréstimos, mostra a folga no orçamento que pode ser destinada a consumo ou contratação de novos créditos.

 

"O aumento forte dos juros entre 2015 e 2016 pressionou o comprometimento para cima, enquanto o estoque de crédito caía porque demanda e oferta estavam em queda", diz João Morais, economista da consultoria Tendências.

 

De novo, a queda dos juros deve levar a uma desalavancagem das famílias, contribuindo para destravar novas concessões de crédito. "Vemos o início da recuperação no crédito pessoal, especialmente no consignado, e também no financiamento de veículos", afirma Morais.

 

Rafael Cardoso, economista do Daycoval Investimentos, também vê uma queda mais rápida do comprometimento da renda. Mas a retomada, avalia, não será em linhas de consumo de longo prazo, como imóveis, veículos e bens duráveis.

 

"O crescimento do crédito vai continuar baixo no ano que vem e também em 2019. A recuperação que se desenha para o Brasil é cíclica, com crédito para itens que precisam ser renovados, como roupas. Não é um consumo de investimento."

 

Para Morais, da Tendências, o mercado de crédito terá de se acostumar a volumes inferiores em relação aos do passado. "O mercado vai demorar a se ajustar. O quadro para o crédito é de níveis muito abaixo dos de 2014."

 

Fonte: Folha de SP


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