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Robôs são ameaça a economias emergentes


24/07/2017

Kiran Kumari está sentada diante de sua máquina de costura Brother, em uma vasta oficina, flanqueada por dezenas de colegas costureiras. Em seu turno de oito horas, ela vai costurar cerca de 400 colarinhos para tops da Ralph Lauren. Cada peça requer alguns minutos de trabalho, e o pagamento é de cerca de US$ 100 ao mês.

 

Ela e os demais 4.800 operários têxteis distribuídos por três fábricas da Matrix Clothing, na Índia, são apenas uma pequena fração da mão de obra de baixo custo que é a esperança de prosperidade dos países emergentes.

 

O Banco Mundial estima que só o sul da Ásia adicionará entre 1 milhão e 1,2 milhão de pessoas à força de trabalho a cada mês por 20 anos: 240 milhões de pessoas.

 

Mas, a quase 13 mil quilômetros dali, em Atlanta (EUA), uma empresa de robótica está trabalhando em uma máquina que, com o tempo, pode tirar permanentemente o emprego de Kumari. A tecnologia Sewbot, que está em desenvolvimento pela Softwear Automation, pretende automatizar todo o processo de confecção de roupas.

 

A tecnologia atraiu a atenção do Walmart, que investiu US$ 2 milhões na empresa como parte de um projeto para automatizar a produção de jeans. Em setembro, o Sewbot conseguiu uma façanha inédita, ao fazer as costuras externas de uma calça.

 

Mas ainda serão precisos anos de trabalho para que a tecnologia se torne barata e confiável a ponto de substituir trabalhadores humanos.

 

Kumari, por exemplo, ganha cerca de US$ 1.200 ao ano. A Softwear não revela o custo do Sewbot, mas fontes do setor o estimam em centenas de milhares de dólares.

 

No entanto, dado o avanço da automação, os especialistas afirmam que é só questão de tempo para que essa tecnologia solape o modelo econômico adotado por grande número de emergentes.

 

O sul da Ásia corre grandes riscos, já que boa parte dos planos econômicos da região envolve capturar os contratos internacionais de produção que estão se tornando caros demais na China.

 

PESADELO DEMOGRÁFICO

 

Na Índia, no Paquistão e em Bangladesh, as autoridades falam de "colher o bônus demográfico", dado o rápido crescimento das populações em países cujos salários médios continuam a ser 75% mais baixos que os da China.

 

Mas os economistas estão começando a questionar se essas forças de trabalho jovens, baratas e potencialmente inquietas desfrutarão mesmo de um bônus.

 

Isso porque os robôs são cada vez mais capazes de executar os trabalhos manuais intensivos de que esses trabalhadores dependem.

 

"A robótica e a inteligência artificial serão mais desordenadoras do que quaisquer das revoluções que vimos no passado: vapor, eletricidade, a linha de montagem, o computador. Vão substituir não só funções de rotina mas também funções mentais complexas. O medo é que o bônus demográfico se torne um pesadelo demográfico", afirma Rajiv Kumar, economista.

 

Segundo Uri Dadush, ex-diretor do Banco Mundial, países como Índia, Paquistão e Bangladesh deveriam se concentrar em transformar suas economias em polos voltados a certos setores, como o turismo, transporte ou finanças.

 

Para Kumari, a perspectiva de um boom de emprego no setor de serviços não é consolo. "Se não estiver trabalhando com roupas, não sei fazer outra coisa."

 

Fonte: Folha de SP

 


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