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IPhone X – temos que trabalhar 12,58 vezes mais que na Austrália, para obter exatamente o mesmo produto


07/11/2017

O brasileiro precisa de 1.258 horas de trabalho para comprar um iPhone X, enquanto, para um australiano, 100 horas são suficientes para adquirir o mais novo smartphone da Apple.

 

Em outras palavras, por aqui temos que trabalhar 12,58 vezes mais que na Austrália, para obter exatamente o mesmo produto.

 

Na semana passada, tivemos o lançamento mundial do iPhone X, que, no Brasil, custa a “bagatela” de R$ 7.019,10. Resolvi pesquisar por quanto o produto está sendo vendido em outros países e as conclusões são, no mínimo, intrigantes.

 

Para facilitar a compreensão do texto, vamos a algumas informações preliminares:

 

a. Modelo: iPhone X – 256 GB;

 

b. Na pesquisa, considerei somente os preços que estavam no site da Apple e lá descobri que estão definidos valores do iPhone X em 36 países;

 

c. Resolvi comparar esses preços com o valor do salário mínimo de cada país. (Eu sei que as regras do salário mínimo são muito particulares nos diferentes lugares e que há benefícios e questões sociais envolvidas, mas o valor líquido recebido é uma realidade e é através desse salário que o trabalhador vai comprar o aparelho);

 

d. Descobri que alguns países não têm salário mínimo, como Suíça e Itália. Dos 36 países listados no site da Apple, sobraram 29;

 

e. Descobri também que a China tem mais de 50 salários mínimos diferentes, que mudam conforme a região geográfica e o setor de trabalho.

 

 

 

Entre os 29 países que permaneceram na pesquisa, o México é o local onde o iPhone X sai mais caro, frente ao salário mínimo. Lá o consumidor precisa de 2.699 horas de trabalho para comprar o aparelho. Em segundo lugar, está a Rússia, onde são necessárias 1.981 horas de trabalho. E o Brasil aparece em terceiro lugar, com 1.258 horas de trabalho, ou algo próximo de 7 meses e meio, para adquirir um iPhone X.

 

Enquanto isso, nos EUA, o trabalhador precisa de 158 horas para comprar o produto. O local com menos tempo de trabalho necessário é a Austrália, onde, com 100 horas, é possível reunir o suficiente para adquirir o aparelho.

 

Para efeito de curiosidade: a Tailândia aparece em quarto lugar, com a necessidade de 1.220 horas de trabalho, e, em quinto, vem a Malásia, com 826 horas. Vou destacar também Portugal, já que virou modinha de destino para o brasileiro médio-rico: lá são necessárias 351 horas de trabalho, o que coloca o país na 12a posição do ranking.

 

 

 

Em dólares

 

Muitos questionam: e se transformarmos todos os preços em dólar, para então comparar os valores cobrados em cada país? Vou mostrar aqui o resultado, mas é importante frisar que esse tipo de comparação não necessariamente leva em consideração o poder de compra da população.

 

Usando o critério “quantos dólares”, o Brasil ganha o título de iPhone X mais caro do mundo: US$ 2.136,65. Em segundo lugar, vem a Turquia, onde o aparelho custa US$ 1.778,37 e, em terceiro, a Hungria, com US$ 1.634,07. Nesse ranking, que considera os 36 países com preços definidos no site da Apple, a Austrália aparece em 26º lugar com a venda do iPhone X a US$ 1.399,28.

 

Para efeito de curiosidade: o quarto lugar ficou com a Dinamarca, onde o iPhone X sai por US$ 1.599,29 e o quinto, com Portugal, a US$ 1.578,95.

 

O iPhone X mais barato é o vendido no Japão, onde o preço é US$ 1.136,91.

 

Em tempo: diferente do que muitos comentam por aí, não vale a pena sair do Brasil somente para comprar o smartphone e voltar.

 

 

 

Em Big Macs

 

E se a gente usar como referência o famoso “Índice Big Mac”, que compara, mundo afora, os preços cobrados pelo sanduíche da rede americana de fast food? Bem, nesse caso, no Brasil, o iPhone X equivale a 425 sanduíches – o que nos deixa na posição 11º no ranking de 36 países com preços definidos no site da Apple. O ranking segue

 

Por esse critério, o primeiro lugar ficou com a Malásia, com 686 sanduíches, seguida pela Rússia, com 672, e pela Turquia, com 642. Depois vêm Taiwan, com 601, e Polônia, com 567 sanduíches.

 

Portugal aparece em 15º lugar, com 348 sanduíches.

 

Os EUA, terra natal da Apple e do McDonald’s, vêm em 35º, penúltima colocação, com 217 Big Macs para um smartphone.  O país onde o iPhone X corresponde a menos sanduíches é a Suíça. Lá cada aparelho equivale a 214 Big Macs.

 

Esse ranking também pode ser considerado de maneira invertida, se levar em consideração o sanduíche nos EUA como parâmetro.

 

 

 

Bens e Serviços que poderíamos consumir em lugar de comprar o iPhone X

 

– 5 diárias no hotel mais famoso do Rio de Janeiro, o Copacabana Palace (cada diária custa cerca de R$ 1.400,00). Observação: não recomendo comer lá dentro, porque aí o custo total para cinco dias no hotel vai extrapolar – e muito – o preço do iPhone X. Sugestão: leve comida de casa ou vá comer um “joelho” com guaraná nos bares próximos ao hotel.

 

– 117 Kichutes (lembram dele?). Achei alguns modelos no Mercado Livre. Dá para calçar uns 10 times.

 

– 700 guarda-chuvas na saída do metrô, nos dias de chuva.

 

– 7.090 esfihas do Habib’s. Meu Deus, o que eu vou fazer com tanta esfiha? Acho que dá para matar a fome de umas mil pessoas.

 

– 1.560 sanduíches com guaraná nos botecos cariocas.

 

–  877 espetos de camarão em Praia Grande (litoral de São Paulo). O problema é que tem que ser corajoso demais para comer esses espetinhos…

 

Dica

 

Compre o que deixa você feliz. Se é um celular que custa mais de R$ 7 mil reais, compre! Só tome cuidado para não gastar mais do que seu orçamento permite.

 

 

 

Conclusão

 

Nos vários critérios de comparação, aqui no Brasil temos um dos iPhones X mais caros do mundo. As perguntas, para as quais eu não tenho a resposta, são: qual é a participação dos tributos nesse preço final cobrado do consumidor? São os impostos que fazem o produto ficar mais caro aqui que em outros países? Ou há outras explicações mais relevantes? Se alguém souber responder em detalhes, por favor me procure.

 

 

 

 

 

Este texto teve colaboração de várias pessoas, a quem deixo meu agradecimento:

 

Roberto Rodrigues, Júlio Bello, Lilian Shimoda, Douglas Ganeco, Franklin Wanderson, Tiago Bezerra, Luiz Murat, Sebastian Argentino, Rodrigo Barros, Alessandro Lima, Myryam Demarchi, Marcelo Alonso, Nadson Magnos, Flávio Consul, Ricardo Cataldi e Carlos Berry.

 

 

 

Os dados foram capturados nos seguintes lugares:

 

– Site da Apple

 

– Site da The Economist

 

– Site da Investing

 

– Site do Banco Central

 

Fonte: Alexandre Cabral/Folha de SP


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