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Com nova política de preços, reajustes de combustíveis pesam no bolso


08/11/2017

A disparada do preço do gás de botijão nos últimos meses já corrói a renda das famílias mais pobres. Há preocupação agora com relação aos repasses às bombas dos preços da gasolina e do diesel, que vêm experimentando sequência de forte alta nas últimas semanas.

 

O gás de botijão foi o que mais aumentou desde o início do governo de Michel Temer, quando a Petrobras passou a acompanhar mais de perto as cotações internacionais do óleo.

 

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço do produto nas refinarias subiu 56% desde a semana anterior à posse de Temer. O dado, porém, não considera o último reajuste anunciado pela empresa na sexta (3), de 6,5%, o que elevaria a alta para 66,1%.

 

Gasolina e diesel têm aumento menor desde a mudança no comando da Petrobras, de 17% e 9%, respectivamente, pressionados também pela alta nas alíquotas de PIS/Cofins no fim de julho. Mas a pressão se intensificou nas últimas semanas, com a escalada de preços do petróleo.

 

Nos últimos dois meses, desde que inverteram a curva de queda, os reajustes da Petrobras para a gasolina acumulam 19,6%. No caso do diesel, é de 11,3%.

 

PRESSÃO

 

Ao lado da conta de luz, o gás de botijão tem sido um dos maiores fatores de pressão no IPC-C1, índice da FGV que mede a inflação das famílias que ganham entre R$ 937 a R$ 2.342.

 

"O gás de botijão é o principal combustível das famílias de baixa renda, que já vêm sofrendo também com o preço da energia", diz André Braz, economista da FGV. A conta de luz, por sua vez, subiu 4,16% em outubro, pressionada pelo uso de térmicas.

 

Gás e energia consomem 6,5% no orçamento das famílias de baixa renda. Neste ano, segundo a FGV, os reajustes elevaram em quase 11% os gastos delas com os dois produtos.

 

A Petrobras diz que os reajustes refletem a variação das cotações no mercado internacional, "devido à conjuntura externa e à proximidade do inverno no Hemisfério Norte, e a variação do câmbio". Pesaram ainda, segundo a estatal, a passagem do furacão Harvey no golfo do México, a redução dos estoques globais e questões geopolíticas

 

O aumento é fruto também da política de cortar subsídios concedidos na gestões petistas. O preço do produto ficou congelado durante 13 anos, entre 2002 e 2015.

 

A alta, porém, representa quase o dobro da verificada no preço do gás destinado a clientes comerciais e industriais, que subiu 29% desde a mudança de governo.

 

A expectativa do mercado é que os reajustes se mantenham nos próximos meses, embora em ritmo menor, pois o barril segue em alta.

 

O preço do petróleo tem oscilado em US$ 62 por barril e já há expectativas que irá a US$ 70. "Há desconforto com relação ao preço da gasolina, mas, considerando as taxas de câmbio e preço do petróleo, teria que subir mais uns 20% nas refinarias", diz o economista-chefe do Santander, Maurício Molon. 

 

Fonte: Folha de SP

 


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