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Tarifaço de Trump pode fortalecer Lula, avalia Nobel de Economia


21/07/2026

Paul Krugman afirma que as tarifas impostas pelos Estados Unidos terão impacto econômico limitado e tendem a ampliar o apoio político ao presidente brasileiro


Reportagem publicada pela BBC News Brasil nesta segunda-feira (20) destaca a avaliação do economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, de que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros não alcançarão os objetivos pretendidos e poderão, na prática, fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Em artigo publicado na plataforma Substack, Krugman afirma que utilizar tarifas para punir o Brasil por seus avanços no sistema de pagamentos e em sua política monetária "não terá sucesso". Segundo ele, o alcance econômico das medidas será limitado, principalmente porque os próprios Estados Unidos dependem de diversos produtos brasileiros, como café, suco de laranja e carne bovina, o que reduz a margem para impactos mais amplos sobre a economia brasileira.


O economista também sustenta que a ofensiva comercial está relacionada ao sucesso do Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central. Há um ano, Krugman classificou o Pix como "o dinheiro do futuro" e, agora, voltou a elogiar a ferramenta, questionando por que um país deveria ser penalizado por oferecer aos cidadãos uma forma mais eficiente de realizar pagamentos.


Na avaliação do Nobel, além de produzir efeitos econômicos restritos, o tarifaço tende a gerar um efeito político contrário ao desejado por Washington, fortalecendo o discurso de defesa da soberania nacional adotado pelo governo brasileiro e ampliando o apoio ao presidente Lula diante das pressões externas. As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos estão previstas para entrar em vigor na próxima quarta-feira.


Principais pontos

Por questões de direitos autorais, a UGT-SP não pode traduzir o artigo na íntegra (leia o original em inglês clicando no link abaixo), mas preparou uma relação com a análise dos principais pontos:


"A guerra de Trump contra o futuro – edição monetária"

Paul Krugman inicia o artigo afirmando que as tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump contra o Brasil não podem ser compreendidas apenas como uma medida comercial. Para ele, existe uma motivação política e ideológica por trás da decisão.

Segundo o economista, o discurso oficial do governo norte-americano procura justificar as tarifas como resposta a práticas consideradas desfavoráveis aos interesses dos Estados Unidos. Entretanto, Krugman considera que essa explicação não se sustenta quando analisada sob a ótica econômica.


O Pix como símbolo da disputa

Um dos pontos centrais do artigo é o destaque dado ao Pix. Krugman recorda que já havia escrito anteriormente sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, classificando-o como uma inovação importante no sistema financeiro mundial.

Na visão do Nobel, o Pix representa uma tecnologia que torna os pagamentos mais rápidos, baratos e acessíveis, reduzindo custos para consumidores, comerciantes e empresas. Ele observa que poucos países conseguiram implantar um sistema público de pagamentos tão eficiente quanto o brasileiro. Por isso, considera estranho que os Estados Unidos estejam tratando justamente esse avanço tecnológico como um problema.


A crítica ao sistema financeiro americano

Krugman aproveita o tema para fazer uma comparação entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, o sistema de pagamentos americano ainda depende, em grande medida, de cartões de crédito, cartões de débito, intermediários financeiros e diversas tarifas cobradas ao consumidor. Esses custos acabam beneficiando grandes empresas do setor financeiro. Já o Pix, segundo sua análise, elimina parte desses intermediários e reduz significativamente o custo das transações. Na avaliação do economista, esse tipo de inovação deveria servir de exemplo para outros países, inclusive os próprios Estados Unidos.


As tarifas dificilmente terão o efeito esperado

Krugman argumenta que o tarifaço não deverá produzir grandes danos para a economia brasileira. Ele lembra que diversos produtos exportados pelo Brasil continuam sendo importantes para o mercado americano. Entre eles estão: café, suco de laranja, carne bovina, outros produtos agropecuários e minerais.

Segundo o Nobel, esses produtos possuem poucos substitutos imediatos. Isso significa que parte do aumento dos custos acabará sendo absorvida pelos próprios consumidores americanos. Em outras palavras, uma parcela do impacto das tarifas recairá sobre empresas e famílias dos Estados Unidos.


O efeito político

Na avaliação de Krugman, o aspecto político talvez seja mais importante do que o econômico. Ele afirma que ataques externos costumam fortalecer governos nacionais, especialmente quando a população interpreta essas medidas como uma tentativa de interferência estrangeira.

Assim, o presidente Lula poderá utilizar o episódio para reforçar o discurso de defesa da soberania brasileira. Segundo Krugman, isso tende a ampliar o apoio político ao governo, produzindo exatamente o efeito contrário ao pretendido pela Casa Branca. É esse raciocínio que explica a frase destacada no artigo de que as tarifas "fortalecerão Lula".


O uso da política comercial

Outro ponto desenvolvido pelo economista é a crítica ao uso das tarifas como instrumento para resolver disputas que não são propriamente comerciais. Krugman argumenta que tarifas costumam ser empregadas para corrigir desequilíbrios de comércio exterior ou responder a práticas consideradas desleais. No caso brasileiro, porém, ele entende que a medida possui forte componente político. Por isso, considera improvável que produza qualquer benefício econômico relevante para os Estados Unidos.


Uma guerra contra a inovação

O título do artigo faz referência àquilo que Krugman considera uma "guerra contra o futuro". Na interpretação dele, ao atacar um sistema moderno de pagamentos como o Pix, o governo americano estaria combatendo justamente um avanço tecnológico capaz de aumentar a eficiência econômica. Para o Nobel, essa postura contrasta com a tradição de incentivo à inovação que historicamente marcou a economia dos Estados Unidos.


Conclusão

Krugman encerra sua análise sustentando que as tarifas dificilmente alcançarão seus objetivos. Em sua avaliação, o impacto econômico sobre o Brasil deverá ser limitado; parte dos custos será suportada pelos próprios consumidores americanos; o Pix continuará sendo uma referência internacional em inovação financeira; e, politicamente, a medida tende a fortalecer o governo Lula, ao estimular um sentimento de defesa da soberania nacional diante das pressões externas. O argumento central do artigo é que a decisão do governo Trump pode acabar produzindo resultados opostos aos pretendidos, tanto do ponto de vista econômico quanto político.

Da redação UGT-SP


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