13/08/2026
A Comissão Mista de Meio Ambiente, Educação, Cultura e Outros Assuntos da Câmara Municipal de Monte Mor, presidida pelo vereador Prof. Adriel, recebeu o Sinsaúde e diversas autoridades da cidade para uma audiência pública sobre a violência contra trabalhadores da saúde. O Sindicato, representado por Adriana Botelho, Odair Pires e Marcelo Serafim, apresentou a campanha “Saúde Sim, Violência Não”, realizada em parceria com a Federação Paulista de Saúde, presidida por Edison Laércio de Oliveira.
As violências físicas, morais e psicológicas contra os trabalhadores da saúde também têm um cunho misógino, que é o ódio contra as mulheres, tendo em vista que elas são mais de 70% das profissionais nas unidades de saúde. Na base do Sinsaúde, elas representam 85% das associadas.
Os casos têm se multiplicado em diversas cidades da nossa região. O caso da enfermeira Simone Barbosa, 23 anos na área, exemplifica o estado de medo que vivem os profissionais da saúde. Ela relatou sobre os atos de extrema violência que sofreu em maio, na unidade de saúde em que atua, que a levaram ao afastamento de suas funções até setembro e tratamento psicológico. Ela conta que foi atacada no pescoço, jogada ao chão, xingada, ameaçada e dias depois ainda sofreu pressão psicológica de familiares da agressora. “Quando fui fazer corpo de delito, percebi que poderia não ter mais visto minha família”, conta.

Sinsaúde aponta caminhos
A diretora de Comunicação, Adriana Botelho, também relatou a violência que sofreu no hospital em que trabalha e o racismo de um paciente, e apontou que a conscientização da população contra a violência e dos trabalhadores sobre seus direitos é que irá curar este mal. “Este tem sido o papel do Sinsaúde, estar na porta dos hospitais conscientizando. É obrigação do empregador oferecer um ambiente tranquilo e respeitoso para os trabalhadores”, afirmou.
O diretor Pires lembrou que, durante a pandemia, os trabalhadores da saúde eram tratados como heróis. “Hoje o trabalhador da saúde virou um grande vilão”, analisa, ao identificar que os profissionais têm sido culpabilizados pelos problemas do sistema de saúde, como a falta de médicos. Já o engenheiro de Segurança no Trabalho, Marcelo Serafim, explicou como o Sinsaúde atua em suas perícias para apontar os problemas de segurança e tentar prevenir violências. “Atuamos em conjunto com o Ministério Público do Trabalho para que as denúncias levantadas pelo Sindicato se tornem medidas práticas”, destaca.
Audiência mobiliza setores
Participaram da audiência pública o representante do Sindicato dos Servidores Municipais de Monte Mor, Adelício Paranhos, o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ricardo Lobardo, o comandante da Guarda Municipal, Denival Santana, a representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Maria Inês Ferreira, e as representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Monte Mor, Regiane Oliveira e Dagmar Cadoni, além do vereador Clair Gomes. A população também estava presente na audiência. A jovem Madame Loyá resumiu a angústia da população quando busca atendimento. “Falta médico. Precisamos de mais médicos nas unidades de saúde”.
O presidente da Comissão, vereador Professor Adriel, conduziu os trabalhos e concluiu que a audiência tirou dois encaminhamentos importantes: o primeiro, uma proposta para um projeto de lei, feita pelo sindicato dos servidores, para uma legislação que proteja ainda mais os trabalhadores e, a segunda, do Sinsaúde, de mobilizar os diversos setores envolvidos em uma campanha de conscientização da população. “Temos que fazer esta militância contra a violência junto aos hospitais e unidades de saúde. Não podemos mais tolerar casos de violência”, finalizou.












Fotos: Assessoria da Câmara de Monte Mor
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região
UGT - União Geral dos Trabalhadores