27/08/2026
A Secretaria da Mulher do Sindicato dos Comerciários de São
Paulo (SECSP) realizou, nesta quarta-feira (26), nas dependências do Sesc 24 de
Maio, o evento “Todas as Mulheres: quem é você no mundo?”, reunindo lideranças
sindicais, representantes do poder público, especialistas e mulheres para um
dia de debates, reflexão, cultura e valorização da mulher.
A abertura foi conduzida por Isabel Kausz, secretária da
Mulher do SECSP, que destacou a força, a coragem e a solidariedade feminina.
“Estar aqui hoje é afirmar que nenhuma mulher deve ser
invisibilizada, que nossas vozes, nossos corpos, nossos desejos, tudo isso
importa”, afirmou Isabel.
Segundo a dirigente, a pergunta que dá nome ao encontro —
“Quem é você?” — foi escolhida justamente para provocar uma reflexão sobre a
identidade, os sonhos e os desafios enfrentados pelas mulheres. “Que este
encontro seja um espaço de escuta, de afeto e reflexão, e que cada mulher que
passar por aqui possa sair mais fortalecida”, ressaltou.
A programação também marcou o Dia da Igualdade Feminina,
celebrado em 26 de agosto. A abertura cultural teve a interpretação do Hino
Nacional Brasileiro pela cantora Ju Santtos, que também realizou uma
intervenção musical apresentando clássicos da Música Popular Brasileira.
Entre as autoridades presentes estiveram a deputada federal
Tabata Amaral, o vereador João Jorge, representando o prefeito de São Paulo, e
a vereadora Sandra Santana.
A força das mulheres e a memória dos trabalhadores
Presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da
UGT, Ricardo Patah falou sobre a importância de discutir os direitos das
mulheres e destacou sua relação afetiva com o espaço onde o evento foi
realizado.
Patah lembrou que, antes de abrigar o Sesc 24 de Maio, o
prédio funcionava como a tradicional Mesbla, importante estabelecimento do
comércio paulistano. Para ele, o local carrega a energia e a história de
gerações de trabalhadores e trabalhadoras do comércio.
Emocionado, o dirigente também falou sobre sua mãe, Dona
Júlia, mulher que teve papel fundamental em sua criação e cuja memória
permanece presente em sua vida. Patah contou, inclusive, que sua filha recebeu
o nome em homenagem a ela.
O presidente destacou ainda a campanha de enfrentamento à
violência contra a mulher e o banner instalado na fachada da sede do Sindicato
em defesa do fim do feminicídio.
Patah também defendeu a necessidade de o movimento sindical
avançar na luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1.
Segundo ele, a mudança é especialmente importante para as mulheres, que
frequentemente enfrentam jornadas duplas ou triplas, conciliando trabalho
remunerado, tarefas domésticas e cuidados com a família.
Misoginia e os impactos na vida das mulheres
A primeira mesa de debates teve como tema “Misoginia e
impactos na vida da mulher e da família – PL 896/2023” e contou com a
participação da deputada federal Tabata Amaral, de Maria Edna, secretária da
Mulher da UGT, com mediação de Kelly Alves.
Tabata Amaral explicou o conceito de misoginia e abordou as
discussões que vêm ocorrendo na Câmara dos Deputados sobre a criminalização de
manifestações de ódio contra as mulheres.
“A primeira coisa é contextualizar. Seja por legislação ou
equiparação jurídica, discursos de ódio contra vários grupos já são crimes. O
racismo, a LGBTfobia, a intolerância religiosa e a xenofobia, isso não quer
dizer que esse crime acabou, mas é uma contribuição, pois a lei do racismo
mudou a conversa, pois piadinhas e ataques nojentos que antigamente eram
tolerados, agora não são mais”, explicou. “Porque as mulheres é único grupo majoritário que não é protegido
contra o discurso de ódio”, completou.
A parlamentar citou como exemplo a diferença entre uma
ameaça dirigida especificamente a uma mulher e discursos genéricos de violência
contra o sexo feminino. “Se um influenciador disser que a mulher Vitória ou a
mulher Vanessa tem que ser estuprada, tem
que ser assassinada ou humilhada, ele está cometendo um crime de incitação a
violência contra um indivíduo, mas se ele disser a mesma coisa contra mulheres
em geral e não estiver falando de mulheres negras ou trans, por exemplo, ele não
está cometendo crime”.
Ela também relatou que a proposta de criminalização da
misoginia foi aprovada por unanimidade no Senado, mas encontrou forte
resistência ao chegar à Câmara dos Deputados. De acordo com a deputada, uma
onda de desinformação passou a circular nas redes sociais para tentar
desqualificar o projeto.
Tabata chamou atenção ainda para o crescimento de conteúdos
machistas e de ódio nas redes sociais e seus possíveis impactos na vida real, abordando caso recente envolvendo a policial
militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, vítima de feminicídio, com destaque as
mensagens que o marido trocava com ela, chamando-a de fêmea beta e ele macho
alfa, numa alusão clara a conteúdos misóginos que circulam na internet,
levantando a necessidade de discutir até onde deve vai a liberdade de expressão
quando começa o crime com conteúdos de ódio e de desumanização.
Saúde mental e menopausa
A segunda mesa trouxe para o centro do debate saúde mental e
menopausa, temas que ainda são cercados por tabus e que impactam diretamente a
qualidade de vida das mulheres.
O debate foi mediado por Mirian, com a participação de
Cleonice Caetano e palestra da professora q Sônia Maria Rolim, que contribuíram
para ampliar a discussão sobre saúde, envelhecimento, autoestima e os desafios
enfrentados pelas mulheres em diferentes fases da vida.
A programação cultural também teve a participação de Adriana
Godoi e trio, que levou música e descontração ao encontro.
Direitos das mulheres e o fim da 6x1
A terceira mesa teve como tema os direitos das mulheres e
contou com a participação da deputada federal Erika Hilton, com mediação de
Fabiana Campello e presença do presidente do Sindicato dos Comerciários de São
Paulo, Ricardo Patah.
Erika Hilton destacou que a luta pelo fim da escala 6x1 deve
ter as mulheres como uma das principais prioridades, contudo não é uma pauta
feminista e sim trabalhista, um debate da sociedade, mas que não há como fazer
nenhum tipo de discussão sem ser atravessado por várias questões como a de gênero,
que na sociedade não é em pé de igualdade. Para a
parlamentar, a jornada extenuante de trabalho pesa ainda mais sobre as
trabalhadoras, que, além das atividades profissionais, continuam sendo
responsáveis por grande parte dos afazeres domésticos e dos cuidados com os
filhos e familiares.
O debate reforçou a importância de construir uma sociedade
em que as mulheres tenham não apenas direitos garantidos, mas também tempo,
liberdade, segurança, saúde, dignidade e oportunidades.
Ao longo do dia, o evento “Todas as Mulheres: quem é você no
mundo?” mostrou que falar sobre as mulheres significa discutir diferentes
dimensões da vida — do combate à misoginia e ao feminicídio à saúde mental,
menopausa, jornada de trabalho, igualdade e participação política.
Mais do que responder à pergunta que dá nome ao encontro, a iniciativa propôs que cada participante pudesse olhar para si, reconhecer sua própria trajetória e sair fortalecida para continuar ocupando espaços e lutando por seus direitos.
UGT - União Geral dos Trabalhadores