16/09/2026
Em entrevista à Agência Sindical, a presidente do SindCine, Sônia Santana, criticou duramente a produção do filme “Dark Horse”, longa que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que a produção teria desrespeitado normas brasileiras trabalhistas e regulatórias. Segundo a dirigente, uma produção estrangeira realizada no Brasil precisa cumprir a legislação nacional e as regras estabelecidas para o setor audiovisual.
Sônia questiona, entre outros pontos, a forma como a produtora estrangeira se estabeleceu no país. Segundo ela, a legislação prevê a participação de uma empresa brasileira responsável pela produção, enquanto a Go Up Entertainment teria criado uma filial no Brasil, assumindo, na avaliação da sindicalista, o papel de garantidora de sua própria operação.
A presidente do SindCine também chama atenção para o custo declarado da produção. Na avaliação dela, “Dark Horse” não apresenta elementos técnicos ou artísticos que justifiquem um orçamento tão elevado, considerando a ausência de grandes efeitos especiais, cenas de grande complexidade ou elenco de alto custo. A comparação feita por Sônia é com “Ainda Estou Aqui”, que teve orçamento de aproximadamente R$ 45 milhões, incluindo despesas relacionadas à campanha internacional do filme.
As questões trabalhistas são outro foco de preocupação. O SindCine já havia denunciado que técnicos envolvidos nas filmagens não receberam corretamente horas extras e que a produção não apresentou ao sindicato os contratos de trabalho. A entidade também informou ter procurado a Ancine e a Superintendência Regional do Trabalho para solicitar esclarecimentos e fiscalização.
Para a representante dos profissionais de cinema, o setor audiovisual possui uma tradição de transparência e respeito às normas coletivas. Por isso, o sindicato defende que sejam examinados os contratos, as condições de trabalho e a utilização dos recursos empregados na produção.
A dirigente também cobra esclarecimentos sobre a origem de parte dos recursos destinados ao filme, incluindo valores que teriam relação com o Banco Master e com emendas parlamentares. Segundo ela, sendo recursos públicos, é indispensável garantir transparência e, caso sejam identificadas irregularidades, responsabilizar os envolvidos.
O SindCine sustenta que a fiscalização deve ocorrer independentemente do conteúdo político da obra. Em manifestação anterior sobre o caso, Sônia Santana destacou que a entidade atua para proteger os direitos dos trabalhadores do audiovisual em qualquer produção e que as normas brasileiras devem ser respeitadas por produções nacionais ou estrangeiras.
Diante das denúncias, a posição do sindicato é direta: investigar todos os aspectos da produção, garantir os direitos dos trabalhadores e assegurar transparência na utilização dos recursos. “Apure-se tudo. Doa a quem doer”, defende Sônia Santana.
UGT - União Geral dos Trabalhadores