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ARTIGOS

Amauri Mortágua
presidente da UGT-SP e do Sincomerciários Tupã


Hora de mobilizar


28/08/2026

Há momentos na história em que uma luta deixa de ser apenas uma reivindicação e começa a se transformar em realidade. O fim da escala 6x1 chegou exatamente a esse ponto. A apresentação do relatório favorável do senador Omar Aziz, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, representa um avanço extraordinário. O parecer rejeita as 12 emendas apresentadas e preserva o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, mantendo no centro da proposta a redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

É uma notícia que deve nos encher de esperança.

Mas, sobretudo, deve nos encher de disposição para lutar.

Porque ainda não vencemos.

O relatório favorável é uma porta que se abriu. Agora precisamos atravessá-la juntos.

A próxima batalha está na CCJ do Senado. Precisamos conversar com cada senador, apresentar argumentos, mobilizar nossas bases, ocupar as redes sociais, visitar os gabinetes, enviar mensagens, fazer contato com as lideranças e deixar claro que os trabalhadores brasileiros estão atentos.

Não podemos assistir de longe.

Precisamos participar da construção dessa vitória.

Quando defendemos o fim da escala 6x1, não estamos discutindo simplesmente números em uma planilha ou algumas horas a menos no relógio. Estamos falando de vida. Estamos falando daquele trabalhador que sai de casa antes de o sol nascer e volta quando seus filhos já estão dormindo.

Estamos falando da mãe que trabalha seis dias por semana e quase não consegue acompanhar o crescimento dos filhos. Do pai que gostaria de participar mais da vida da família. Do jovem que precisa estudar, mas chega ao fim da semana sem energia. Do trabalhador que gostaria de praticar um esporte, cuidar da saúde, visitar os pais, encontrar os amigos, participar da comunidade ou simplesmente descansar.

Estamos falando do direito de viver para além do trabalho. Trabalhar é parte da vida, mas não pode ser a vida inteira.

E essa é a essência da nossa luta. Dois dias de descanso não são um luxo. São tempo para recuperar as forças. São tempo para abraçar os filhos. São tempo para conversar com quem amamos. São tempo para estudar, aprender, crescer e construir novos sonhos. São tempo para cuidar de nós mesmos. São tempo para viver.

Por isso, quando defendemos o fim da escala 6x1, estamos defendendo uma sociedade em que o trabalhador possa ter mais equilíbrio, mais dignidade e mais qualidade de vida. Não queremos menos trabalho. Queremos mais vida depois do trabalho.


Agora é com o movimento sindical

A história do movimento sindical brasileiro nos ensina uma coisa fundamental: nenhum direito importante foi dado de presente aos trabalhadores. A jornada de oito horas, as férias, o descanso semanal remunerado, o 13º salário, o salário mínimo, a aposentadoria e tantos outros direitos foram resultado de organização, mobilização e perseverança.

O fim da escala 6x1 será mais uma dessas conquistas. Mas, para isso, precisamos estar unidos. Neste momento, cada sindicato, cada central, cada federação, cada confederação, cada dirigente sindical e cada trabalhador tem um papel a desempenhar.

Precisamos transformar a esperança em mobilização. Precisamos procurar os senadores. Precisamos falar com suas bases eleitorais. Precisamos mostrar que apoiar o fim da escala 6x1 é apoiar milhões de brasileiros que querem simplesmente ter o direito de viver melhor.

A pressão democrática é legítima e necessária. O Senado precisa ouvir a voz das ruas.Precisa ouvir quem acorda cedo, pega transporte público, enfrenta jornadas cansativas e passa boa parte da vida dentro do ambiente de trabalho. Precisa ouvir os trabalhadores que sustentam a economia brasileira todos os dias.

E é exatamente por isso que devemos exercer nossa cidadania e nossa capacidade de organização. Não se trata de confronto. Trata-se de democracia. Trata-se de mostrar aos representantes eleitos que existe uma sociedade acompanhando cada voto, cada posicionamento e cada decisão.

A mudança está se aproximando. Mas não é garantida. Agora é a hora de todos aqueles que militam em defesa de um Brasil mais justo se unirem. E, nesse país, ninguém tem incorporado este espírito tão bem quando o movimento sindical.

Vamos, mais uma vez, ajudar a escrever um capítulo marcante da história. Mas só será possível com mobilização, unidade e coragem.

Amauri Mortágua. 




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