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UGT Press 606: 1984 é hoje


10/04/2018

1984: o livro de George Orwell, 1984, publicado em 1949, no pós-Guerra, está na lista dos mais vendidos em vários países. Orwell, originalmente Eric Arthur Blair, nasceu na Índia e é autor de outro clássico, escrito antes, “A revolução dos bichos”, uma fábula do poder, falando também sobre tirania e opressão. Porém, nada superou 1984, transformado em quadrinhos, minisséries, filmes e até em ópera. O ressurgimento da temática se dá no momento em que se discute a vigilância das sociedades e o aparecimento de formas sofisticadas de influenciar e controlar as pessoas. Desde os resultados eleitorais mais visíveis – Plebiscitos na Inglaterra e Colômbia e a ruidosa eleição de Donald Trump nos Estados Unidos -, muito se tem falado na influência das redes sociais. Nas últimas semanas, os jornais estamparam manchetes sobre o “escândalo no uso indevido de dados”.

 

FACEBOOK: o escândalo, verdadeiro terremoto, abateu-se sobre Mark Zuckerberg, presidente da oitava maior empresa do mundo, até então com 2,1 bilhões de usuários, acusada de liberar dados de 50 milhões de pessoas, através da empresa Cambridge Analytica, ligada à campanha de Donald Trump nos Estados Unidos e com interesses e representantes em outros países, inclusive no Brasil. Antes, chegou-se a falar que Zuckerberg poderia ser candidato a presidente dos Estados Unidos em 2020. Hoje, ele está sob tiroteio, sua empresa enfrenta uma crise de confiança e toda a questão suscitou nos Estados modernos um grande alerta contra as redes sociais - Facebook, Google, Amazon, Alibaba, Tencent, Twitter, Linkedin -, acusadas de utilizar seus dados sem que seus usuários soubessem, vendendo-os ou autorizando usos indevidos e talvez ilegais.

 

RÉU CONFESSO: após 5 dias, enfim Mark Zuckerberg escreve em sua própria rede, reconhecendo que houve violação da confiança: “Temos a responsabilidade de proteger seus dados [dirigindo-se aos usuários do Facebook], e, se não pudermos fazer isso, não merecemos servir vocês. Estou tentando entender o que houve para que não aconteça de novo. Também cometemos erros e precisamos fazer mais ainda. Precisamos consertar isso” (Folha de São Paulo, 22/02/2108). Aqui, uma gravíssima constatação que já chegou aos ouvidos do mundo: teria Mark Zuckerberg controle sobre a sua empresa? A resposta veio da conceituada The Economist: “Após meses de conversas sobre propaganda política e notícias falsas, políticos da Europa e também dos Estados Unidos começaram a achar que o Facebook está fora de controle e se recusa a admitir isso” (Estadão 23-03-2018).

 

ZEYNEP TUFEKCI: com esse nome difícil, a professora turca Zeynep Tufekci é uma prestigiada palestrante do TED (ted.com), além de lecionar na Universidade da Carolina do Norte e também ser professora visitante de Harvard e Princeton. Ela fala de própria voz que o Facebook fez um experimento em 2010, quando conseguiu levar 340 mil eleitores a mais nas “eleições intercalares”. Isso foi confirmado por pesquisas e confirmação dos eleitores. Ela diz que não foi um acaso porque o Facebook repetiu o experimento em 2012, desta vez levando mais 270 mil eleitores a mais nas eleições. “Para referência, as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos foi decidida por cerca de 100 mil votos. Agora, o Facebook pode facilmente inferir suas preferências políticas, mesmo que você nunca as tenha revelado no site. Certo? Esses algoritmos fazem isso facilmente. E se uma plataforma com esse tipo de poder decidir mobilizar apoiadores de um candidato e não do outro? Como vamos ao menos saber disso?” (ted.com). Bem, apenas para informação, sabe-se que os latinos e os negros votaram em número menor em Hillary Clinton, quando comparado aos mesmos números de Barack Obama.

 

BRASIL: o Brasil está entrando numa rota bastante perigosa de confronto entre correntes da esquerda e da direita, numa fase que pode ser caracterizada como de intenso ódio, com inúmeras notícias falsas (fake news) de ambos os lados nas redes sociais. O que nos garante que não podemos estar sendo influenciados por um lado ou outro, como se deduz que ocorreu nos Estados Unidos, um país em todos os sentidos mais adiantado do que o Brasil. Nossas mentes podem estar sendo cooptadas, alugadas, influenciadas, seja lá o nome que se possa dar a esse absurdo, digno daquilo que está cogitado no livro de Orwell, 1984.

 

PENSE BEM: os seus dados, a sua índole, a sua personalidade, os seus pensamentos políticos, religiosos e raciais estão expostos nas redes sociais. Continuar com elas é uma decisão sua, pessoal, livre e democrática. Contudo, um conselho dos especialistas: utilize-as em coisas simples, aquelas que dão alegria. Não destile ódios e nem se arvore em defender o indefensável. Cuidado! 




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