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UGT Press 609: Educação, a eterna


17/04/2018

PRIORIDADE MÁXIMA: seja pelo discurso eleitoral ou pelas leis pontuais, incluindo aquelas que destinam verbas exclusivas para o setor, a educação no Brasil, desde sempre, foi prioridade. Apesar dessa “prioridade”, o Brasil sempre esteve muito longe de ter uma educação minimamente razoável. Prefeitos, governadores, presidentes, todas as autoridades políticas com algum poder de mando orçamentário, sempre fizeram grandes discursos em favor da educação e muitos deles foram eleitos em cima de plataformas educacionais. A pergunta que se faz é: Como um país que gasta em educação (comparação percentual em relação ao PIB - Produto Interno Bruto), que tem uma enormidade de pessoas empregadas no setor (a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo é uma das maiores empregadoras do mundo) e que tem gente, muita gente, nas repartições de controle e planejamento, pode ter uma educação tão deficitária? As respostas são muitas, incluindo aquela que o gasto orçamentário razoável é uma falácia, especialmente quando comparado aos investimentos de outros países.

 

PISA: em geral, o PISA (Programme for International Student Assessment/Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é um exame para jovens de 15 anos, feito a cada três anos, inicialmente com 30 países, mas hoje também com convidados.  Apesar de não ser país membro da OCDE, o Brasil tem sido convidado a participar e o faz através do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). O Brasil esteve presente por três vezes, mas o desempenho dos seus alunos não foi excepcional, ficando atrás de inúmeros outros países. Não é o objetivo aqui buscar os resultados do Brasil no Pisa ou em outros concursos e avaliações de alunos. Na média, o Brasil está atrás de muitos países, embora se possa registrar a existência de ilhas de excelência. É importante avaliar nossa educação por seus problemas maiores, aqueles que podem ser resolvidos com vontade política.

 

OCDE: entrevistado pela Folha de São Paulo (19/02/2018), o professor alemão, Andreas Schleicher, um dos idealizadores do Pisa, falou que “pobreza não é destino” e citou os alunos 10% mais pobres do Vietnã que tem desempenho igual aos 10% mais ricos do Brasil. Continuando, ele foi diplomático com o Brasil: “Ainda vejo o Brasil como uma das poucas histórias de sucesso na América Latina, e eu acho que o copo está mais para metade cheio do que para metade vazio. Entre 2000 e 2015, o Brasil adicionou 500 mil alunos, ao reduzir as barreiras que mantinham uma grande proporção de adolescentes fora da escola. Conforme as populações excluídas ganham acesso a níveis mais avançados de escolaridade, uma proporção maior de alunos com baixo desempenho será incluída nas amostras do Pisa, levando a uma subestimação das melhoras reais do sistema educacional. Mas há outros fatores também. Todos os países na Ibero-América são caracterizados por altos níveis de repetência. No Brasil, mais de um em cinco estudantes informaram ter repetido uma série na escola primária. As pesquisas têm mostrado que isso tem efeitos negativos sobre o desempenho acadêmico”.

 

INVESTIMENTOS BAIXOS: apesar de uma boa relação PIB x Investimentos, sabe-se que o Brasil aplica poucos recursos na educação, especialmente a educação de base, aquela que abrange as crianças e jovens até a adolescência (15 anos). Depois disso, seria recomendável, um bom sistema de ensino profissional. Com a palavra Andreas Schleicher: “O gasto em educação no Brasil ainda é baixo. A primeira lição que aprendi pesquisando os países que aparecem no topo das comparações do Pisa é que seus líderes parecem ter convencido seus cidadãos a fazer escolhas que valorizam mais a educação do que outras coisas. No Brasil e na maior parte do mundo ocidental, os governos começam a pegar emprestado o dinheiro das próximas gerações para financiar seu consumo hoje, e a dívida que fizeram coloca um freio enorme no progresso econômico e social. O Brasil é um país em desenvolvimento grande com uma parcela crescente de jovens. Ainda que, como parcela do PIB per capita, o gasto brasileiro por estudante seja maior do que a média da OCDE, esse ainda não é o nível ideal”. Matou a pau: estamos nos endividando, jogando dinheiro pelo ralo, acabando-nos em corrupção e comprometendo o futuro das próximas gerações.

 

GASTOS IRRACIONAIS: por que o Brasil tem gastos, em média, acima da OCDE e ainda assim o seu ensino é péssimo? Simples: gastamos muito na burocracia, há uma diferença enorme entre o dinheiro que entra lá em cima e aqueles recursos que são aplicados aqui embaixo, diretamente nas escolas. Professores mal remunerados, escolas inadequadas e em tempo parcial, merendas ruins e sujeitas a desvios (no Estado de São Paulo, supostamente o mais adiantado da Federação, já se constituiu uma CPI da Merenda, claro, sem resultados, com todos seguindo, belos e faceiros as suas carreiras políticas) e outras inumeráveis mazelas. Ou seja, gastamos mal e a maior parte dos recursos desaparece no cipoal burocrático. Mas, ninguém liga. Afinal, neste país todas as autoridades e todas as repartições fazem o que querem e não há nada que os impeçam de agir sem propósitos republicanos, nem mesmo o Judiciário.

 




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