10/09/2026
O dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, nos convida a falar sobre um assunto que ainda é cercado de silêncio, medo e, muitas vezes, preconceito. Mas falar sobre suicídio é falar sobre vida. É falar sobre cuidado, acolhimento, saúde mental e, principalmente, sobre a importância de não deixarmos ninguém sozinho diante do sofrimento.
Como mulher, sindicalista e dirigente que acompanha de perto a realidade de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, acredito que precisamos ampliar esse olhar. A saúde mental não pode ser tratada como algo secundário. As pressões do trabalho, as dificuldades financeiras, os conflitos familiares, o assédio, a violência, a solidão e tantas outras situações podem provocar um sofrimento profundo que nem sempre conseguimos enxergar.
Mas hoje quero chamar atenção também para quem fica.
Quando uma pessoa tira a própria vida, a dor não termina naquele momento. Ela permanece na vida dos familiares, dos amigos, dos colegas de trabalho e de todos aqueles que tinham algum vínculo com quem partiu. São os chamados sobreviventes do suicídio: pessoas profundamente impactadas por uma perda que, muitas vezes, vem acompanhada de choque, culpa, raiva, tristeza e perguntas que parecem não ter resposta.
“Por quê?”
“E se eu tivesse percebido?”
“E se eu tivesse feito alguma coisa?”
São perguntas que podem acompanhar essas pessoas por muito tempo.
Por isso, precisamos entender que prevenção também significa olhar para esses familiares e amigos. É preciso acolher sem julgamentos, respeitar o tempo de cada pessoa e oferecer apoio para que ela consiga atravessar um luto tão complexo.
Também precisamos aprender a olhar para quem está ao nosso lado. O sofrimento emocional nem sempre é visível. Mudanças de comportamento, isolamento, tristeza persistente, perda de interesse, alterações no sono ou no apetite, desesperança e falas relacionadas à falta de vontade de viver merecem atenção.
Não se trata de fazer interrogatórios ou procurar culpados. Trata-se de estar presente. De ouvir. De perguntar como a pessoa está e realmente escutar a resposta. De incentivar a busca por ajuda profissional quando necessário.
Não podemos esperar que alguém chegue ao limite para então percebermos que precisava de ajuda.
Como dirigente sindical, defendo que a saúde mental esteja cada vez mais presente na agenda do mundo do trabalho. Cuidar de trabalhadores e trabalhadoras também significa combater ambientes adoecedores, enfrentar o assédio moral e sexual, discutir condições dignas de trabalho e construir espaços onde as pessoas possam falar sobre suas dores sem medo de serem julgadas.
Neste 10 de setembro, minha mensagem é para quem está sofrendo, mas também para quem está ao lado de alguém que sofre. Olhe. Escute. Acolha.
Às famílias que perderam alguém dessa forma, quero dizer: vocês também precisam ser cuidados. Não carreguem essa dor sozinhos. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É um ato de coragem.
A UGT e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo estão ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores, defendendo saúde, dignidade e qualidade de vida.
Falar, ouvir e acolher podem fazer a diferença. Nenhuma vida é descartável e nenhuma dor deve ser invisível.
CVV – 188: atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas.
Em situação de risco imediato, procure um serviço de urgência ou ligue 192 – SAMU.
UGT - União Geral dos Trabalhadores