Gelson Santana
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (STICC) e Secretário Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Construção Pesada e em Montagem Industrial UGT
19/03/2026
Para a maioria esmagadora dos trabalhadores brasileiros está
cada dia mais complicado entender os absurdos que surgem no ambiente dos três
Poderes. Quando achamos que já tínhamos visto e vivenciado o que há de pior
aparecem fatos mais inacreditáveis. Antes de tratar disso relembro, para não
esquecermos:
Entre 2024 até esse início de 2026 começamos com a
investigação da tentativa de golpe e que culminou com a condenação de altas
autoridades militares e figuras próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ele
condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, por liderar
uma tentativa de golpe de Estado. Foi considerado culpado por crimes como
organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e
dano ao patrimônio.
Também assistimos a disputa pelo controle do orçamento,
especialmente após restrições do STF sobre emendas parlamentares, o que
intensificou o atrito entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. Agora
estamos assistindo um daqueles que se enquadram na série morro e não vejo tudo:
o Supremo Tribunal Federal (STF) o que especialistas chamam de “maior crise de
sua história”, com questionamentos internos sobre conduta de ministros e
indiscutivelmente conflitos éticos que está estampado no caso do Banco Master e
que ainda estamos assistindo o primeiro capítulo.
O que fica muito claro é que nos diversos casos envolvendo
políticos há fortes indícios de corrupção e as investigações da Polícia Federal
indicam que há envolvimento de
políticos de diversos espectros ideológicos e autoridades. E isso está
estampado na decisão da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro por suspeitas de
corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com investigações que
apontam para tentativas de influência política para encobrir um rombo financeiro
bilionário. Não podemos esquecer que recentemente veio à tona mais um caso
grave. Não é de um político, mas, a suspeita está no “universo do poder
político “. Refiro-me ao “Lulinha”, filho do presidente Lula que teve seu
sigilo bancário e fiscal quebrado pelo STF a pedido da Polícia Federal (PF)
poucos dias atrás. Ele é investigado por suposta ligação com operadores de um
esquema bilionário de fraudes no INSS, que envolvia descontos ilegais em
aposentadorias. Considero muito
importante essa reflexão, debate e agir para mudar. Sempre! Nesse ano ainda
mais! Entra eleição e esse filme volta a cartaz. Não restam dúvidas que a
corrupção política e os erros de gestão que afetam desproporcionalmente nós
trabalhadores e as camadas menos favorecidas socialmente não devem continuar
imperando no nosso país. Como sabemos elas desviam recursos essenciais de
serviços públicos básicos, que são justamente os mais utilizados por essa parte
da população. Os mais pobres dependem exclusivamente do Estado enquanto a
classes média e alta tem condições de pagar planos de saúde, educação e
segurança privada.
Precisamos ficar atentos para que o filme que nós
trabalhadores já assistimos não seja o mesmo que quer nos fragilizar ainda mais
não continue na nossa vida. Um filme que tem no seu elenco atores e atrizes que
não querem a mobilidade social. Querem fragilizar pilares da dignidade no
trabalho e igualdade social.
Ou seja, a república que queremos não é essa desse filme
repetido nos diferentes Congressos e Governos. É aquela que não seja apenas um
regime de eleições, mas que tenha mecanismos que permitam aos cidadãos comuns
influenciar as decisões políticas, tornando o governo mais “do povo” do que
“dos representantes”.
Nós trabalhadores da construção civil sabemos que nenhuma
obra se levanta sem projeto, sem responsabilidade e sem compromisso com quem
vai viver dentro dela. O Brasil também é uma grande obra coletiva — e há muito
tempo precisa de reparos profundos em suas estruturas políticas, éticas e
sociais. As eleições que se aproximam são mais do que uma disputa de poder: são
uma oportunidade de reconstrução. É hora de escolher com consciência, coragem e
compromisso com o futuro. O país que queremos não pode ser improvisado, nem
erguido sobre interesses menores. Vamos
passar o Brasil a limpo. Agora!
UGT - União Geral dos Trabalhadores