23/07/2026
São Paulo possui um dos trânsitos mais violentos do país. Em 2025, 475 motociclistas morreram em acidentes na capital. Apenas no primeiro semestre de 2026 já foram 238 mortes, aumento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além das vidas perdidas, milhares de pessoas ficam com sequelas permanentes. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que, entre as vítimas atendidas na Rede Lucy Montoro, 20% sofreram amputações e 58% ficaram paraplégicas, evidenciando o enorme impacto social e econômico desses acidentes.
Desta maneira, nós da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Federação Brasileira Interestadual dos Trabalhadores Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas (FEBRAMOTO) e do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo (SindimotoSP) manifestamos profunda preocupação com o avanço da judicialização a respeito da regulamentação do transporte remunerado de passageiros por motocicletas por aplicativos.
Nossa posição não é contra a inovação tecnológica. O que defendemos é que nenhuma inovação pode se sobrepor ao direito mais fundamental de todos: a vida.
Diante desse cenário, ampliar a circulação de motocicletas transportando passageiros em vias de alta velocidade, como as marginais, a Avenida 23 de Maio e a Radial Leste, sem estudos técnicos aprofundados, representa um risco que não pode ser ignorado. O que está em debate não é apenas um novo modelo de negócio, mas uma grave questão de saúde pública.
Em 24 de maio de 2025, Larissa Barros Maximo Torres, de apenas 22 anos, perdeu a vida após um acidente durante uma corrida solicitada por aplicativo na cidade de São Paulo. A motocicleta em que estava colidiu com a porta de um veículo parada no semáforo da Avenida Tiradentes. Larissa foi arremessada para a pista e acabou sendo atropelada por outro veículo.
Mais recentemente, em 16 de julho de 2026, uma mulher de 58 anos morreu em Belo Horizonte após cair da garupa de uma motocicleta de transporte por aplicativo durante uma tentativa de ultrapassagem. Na queda, foi atropelada por um ônibus. O condutor da motocicleta não sofreu ferimentos.
Esses casos ganharam repercussão nacional, mas certamente não representam toda a dimensão do problema. Acidentes semelhantes podem estar ocorrendo diariamente em diversas cidades brasileiras, muitas vezes sem receber a devida divulgação ou sequer serem identificados nas estatísticas como ocorrências relacionadas ao transporte de passageiros por aplicativos.
A atual disputa judicial envolvendo a autorização desse serviço demonstra que o tema ainda carece de amadurecimento institucional. Decisões judiciais autorizando sua operação coexistem com recursos apresentados pelos municípios, justamente em razão das preocupações relacionadas à segurança viária e às competências previstas na legislação brasileira.
A regulamentação desse serviço exige responsabilidade, segurança jurídica, fiscalização rigorosa, capacitação dos condutores, cobertura securitária e estudos independentes sobre seus impactos. Não é aceitável flexibilizar a legislação ou relativizar os riscos quando vidas estão em jogo.
Nosso compromisso é com a defesa da vida, com a valorização dos motociclistas profissionais, com a segurança da população e com o aperfeiçoamento das políticas públicas de mobilidade urbana.
O Brasil precisa discutir o futuro do transporte por motocicletas com responsabilidade, transparência e base científica.
Nenhum avanço tecnológico será verdadeiro progresso se o preço a ser pago for o aumento de mortes, mutilações e famílias destruídas no trânsito.
União Geral dos Trabalhadores – UGT
Federação Brasileira Interestadual dos Trabalhadores Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas – FEBRAMOTO
Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo – SindimotoSP
UGT - União Geral dos Trabalhadores