28/09/2026
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de colocar
fim às bets no Brasil é considerada pela União Geral dos Trabalhadores (UGT)uma
medida importante não apenas para combater os graves problemas sociais
provocados pelo vício em apostas, mas também para proteger o dinheiro das
famílias brasileiras e fazê-lo voltar a circular na economia real.
O ponto central é direto: cerca de R$ 100 milhões por dia
que vinham sendo transferidos para as plataformas de apostas poderão deixar de
ser drenados dos bolsos dos brasileiros e permanecer no orçamento das famílias
e no mercado de consumo.
O dinheiro, que antes era destinado às bets, poderá ser
utilizado para comprar alimentos, roupas, medicamentos, pagar contas,
frequentar restaurantes, utilizar serviços, fazer compras no comércio e atender
outras necessidades das famílias brasileiras.
Isso significa que recursos que estavam sendo direcionados
para uma atividade que provocou endividamento e dependência poderão voltar a
movimentar o comércio, os serviços, a produção e, consequentemente, a geração
de emprego e renda.
É dinheiro que pode sair da aposta e voltar para o
supermercado, para o comércio, para os serviços e para dentro das famílias.
Todo o movimento sindical brasileiro já vinham alertando
sobre os efeitos das bets. No dia a dia, dirigentes sindicais e
trabalhadores(as) tiveram contato com histórias de pessoas que perderam grandes
quantias, contraíram dívidas e enfrentaram problemas familiares em consequência
do vício em jogos.
A UGT entende que essa realidade não pode ser tratada
simplesmente como uma questão de entretenimento. Quando o dinheiro destinado à
alimentação, ao consumo e às necessidades básicas começa a ser transferido para
plataformas de apostas, toda a família sofre e a própria economia real perde
recursos.
Uma mudança que atinge o bolso e a vida das famílias
As apostas de quota fixa foram autorizadas pela legislação
de 2018 e, posteriormente, regulamentadas durante o governo Lula, em 2023. A
regulamentação buscou estabelecer regras para o funcionamento do setor, mas a
experiência dos anos seguintes mostrou a dimensão dos problemas relacionados às
apostas e ao crescimento dos casos de ludopatia.
Há anos já haviamos alertado para essa realidade no artigo “Bets:
o câncer social e econômico que precisa ser extirpado”, no qual defendia que os
jogos de azar não poderiam ser encarados simplesmente como atividades
recreativas ou de entretenimento.
Por isso, a UGT considera que o fim das bets pode
representar uma oportunidade para recuperar parte do poder de compra das
famílias e fortalecer a economia que efetivamente produz, comercializa, presta
serviços e gera empregos.
Se antes bilhões eram direcionados às apostas, agora a
expectativa é que uma parcela significativa desses recursos volte a circular
onde realmente faz diferença: no orçamento das famílias e na economia real.
UGT - União Geral dos Trabalhadores