01/10/2026
O encerramento de setembro não encerra a responsabilidade com a saúde mental. A campanha Setembro Amarelo reforça, especialmente em 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a importância da conscientização e do cuidado. Esse compromisso, porém, precisa permanecer presente todos os dias, nas famílias, no trabalho e em toda a sociedade.
Falar sobre depressão, síndrome do pânico, burnout e outras formas de sofrimento psíquico é necessário. Transformar essa discussão em ações de acolhimento e acesso ao atendimento é igualmente fundamental. Escutar sem julgar, respeitar a dor e apoiar a busca por ajuda profissional são atitudes que podem fortalecer vínculos e romper o isolamento.
Nem sempre expressões como “siga em frente” ou “você consegue” oferecem o apoio de que uma pessoa precisa. Embora possam ter boa intenção, essas palavras precisam vir acompanhadas de escuta, presença e compreensão. Cada pessoa tem uma história, um tempo e necessidades próprias.
O processo de recuperação também varia. Algumas pessoas apresentam melhora mais rapidamente; outras necessitam de acompanhamento e apoio por períodos prolongados. Essas diferenças não devem ser motivo para cobrança, condenação ou abandono.
Não desistir de quem tem depressão significa manter vínculos, oferecer acolhimento e incentivar o acesso ao cuidado profissional, respeitando a autonomia da pessoa. Uma rede de apoio pode contribuir para que ninguém enfrente o sofrimento em solidão.
SAÚDE MENTAL E AFASTAMENTOS DO TRABALHO.
Os números mostram a dimensão do adoecimento mental no mundo do trabalho. Segundo dados preliminares do Ministério da Previdência Social, em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais. O volume representa um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios. Essa contagem corresponde a concessões de benefícios. (gov.br)
Do total de 2025, 346.613 benefícios foram destinados a mulheres, correspondendo a 63,46%, e 199.641 a homens, equivalentes a 36,54%. Esses percentuais representam a distribuição das concessões por sexo, e não a proporção de todas as mulheres ou de todos os homens que trabalham. (gov.br)
O adoecimento e os afastamentos por sofrimento mental exigem atenção e medidas concretas. Trabalhadoras e trabalhadores precisam de condições dignas, ambientes sem assédio e acesso aos serviços de saúde.
A prevenção demanda enfrentar a sobrecarga, as práticas de humilhação, a discriminação e outras condições que podem contribuir para o sofrimento. A responsabilidade pelo cuidado também envolve empregadores, poder público, sindicatos e toda a sociedade.
SUICÍDIO: UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA
Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina com dados do DATASUS, o Brasil registrou 16.751 mortes por suicídio em 2024. (portal.cfm.org.br)
Um estudo baseado no Sistema de Informações sobre Mortalidade apresenta, para esse mesmo ano, 13.047 mortes entre homens e 3.700 entre mulheres, correspondentes a aproximadamente 78% e 22% do total, respectivamente. Quatro registros tinham o sexo ignorado. Esses percentuais indicam a participação de cada sexo no total de mortes por suicídio. (aurumpublicacoes.com)
Por trás de cada número existe uma vida, uma história, uma família e uma comunidade. A prevenção exige ampliar a escuta, fortalecer as redes de apoio e garantir acesso ao atendimento, considerando as diferentes necessidades de mulheres e homens.
UM COMPROMISSO PARA TODOS OS DIAS
Prevenir o suicídio e promover a saúde mental exige compromisso coletivo, políticas públicas e serviços acessíveis. Nesse contexto, os sindicatos têm papel importante na defesa de direitos, na orientação da categoria e na mobilização por ambientes de trabalho que respeitem a saúde física e mental.
O acolhimento precisa ultrapassar o calendário das campanhas e fazer parte das relações cotidianas. O encerramento do Setembro Amarelo deve renovar esse compromisso: escutar sem julgar, acolher com respeito e apoiar a busca por cuidado profissional.
Para apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. O atendimento em saúde pode ser buscado nas UBS e nos CAPS. Em situações de emergência, deve-se acionar o SAMU pelo número 192 ou procurar um serviço de urgência. (gov.br)
Setembro termina. O cuidado com a vida continua , não pode parar.
Cleonice Caetano Souza - Vice-presidente UGT
UGT - União Geral dos Trabalhadores