Cleonice Caetano Souza
Vice-Presidente Nacional da UGT Diretora de Assistência Social e Previdência – Sindicato dos Comerciários de São Paulo
16/07/2026
Estamos vivendo um
momento marcado pelo aumento da misoginia, da intolerância e da disseminação de
discursos de ódio, em um cenário de intensa polarização política. Esse ambiente
repercute diretamente nas relações sociais, familiares, profissionais e institucionais,
contribuindo para a naturalização de diferentes formas de violência contra as
mulheres.
Em 7 de agosto de
2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Reconhecida como um dos mais
importantes instrumentos de proteção às mulheres, ela representa um marco na
luta pelo enfrentamento da violência de gênero. No entanto, sua implementação
ainda não alcança todo o território nacional de forma efetiva, deixando
milhares de mulheres sem acesso adequado à rede de proteção, acolhimento e
justiça.
A violência contra
a mulher manifesta-se de diversas formas: física, psicológica, moral, sexual,
patrimonial, institucional, política e digital. Todas elas violam direitos
humanos e são fortalecidas por práticas misóginas, preconceitos estruturais e
tentativas de silenciar ou excluir mulheres dos espaços de participação e
decisão.
Essa realidade vai
muito além do ambiente doméstico. Está presente nas relações de trabalho, na
política, nos sindicatos, nas redes sociais, nas instituições públicas e
privadas e, muitas vezes, dentro das próprias famílias. Ofensas, humilhações,
intimidações, assédio, desqualificação da capacidade intelectual e ataques
direcionados às mulheres não podem ser tratados como simples divergências de
opinião ou "brincadeiras". São expressões de violência que
comprometem a igualdade de direitos e limitam a participação plena das mulheres
na vida social.
Nos últimos anos,
também se intensificou a violência política de gênero, utilizada para
constranger, intimidar e afastar mulheres dos espaços de representação,
liderança e poder, comprometendo não apenas os direitos das mulheres, mas o
próprio fortalecimento da democracia.
Enfrentar essa
realidade exige mais do que a existência de leis. Requer a efetiva
implementação das políticas públicas previstas na legislação, o fortalecimento
da rede de atendimento às mulheres, investimentos em educação para a igualdade
de gênero, prevenção da violência e responsabilização de quem pratica qualquer
forma de discriminação ou violência.
Nenhuma
instituição, organização ou movimento comprometido com os direitos humanos pode
ser conivente com discursos misóginos, práticas discriminatórias ou qualquer
forma de violência contra as mulheres.
Defender os
direitos das mulheres é defender a democracia, a justiça social, os direitos
humanos e a construção de uma sociedade em que todas possam viver sem
violência, trabalhar com dignidade, participar da vida pública, exercer sua
cidadania e ocupar todos os espaços com liberdade, segurança, igualdade e
respeito.
A democracia só
será plena quando todas as mulheres puderem viver sem medo, trabalhar sem
violência, participar sem intimidação e exercer seus direitos com liberdade,
igualdade e respeito. Essa não é apenas uma causa das mulheres. É um
compromisso de toda a sociedade.
UGT - União Geral dos Trabalhadores