Carlos Eduardo Oliveira Jr.
economista e Presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo
13/01/2026
A assinatura do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul representa um dos movimentos mais significativos de integração econômica das últimas décadas, envolvendo um mercado de aproximadamente 718 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Embora as atenções iniciais se concentrem na redução de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, o setor de serviços brasileiro também será profundamente impactado, tanto em termos de oportunidades quanto de desafios.
Os serviços desempenham papel central na estrutura produtiva brasileira, abrangendo atividades como transporte, logística, telecomunicações, finanças, tecnologia da informação, energia, saneamento, serviços profissionais, turismo e comércio. A abertura comercial promovida pelo acordo tende a afetar não apenas a dinâmica concorrencial desses setores, mas também os padrões de investimento, a organização produtiva e o perfil do emprego no país.
Contexto e Abrangência do Acordo
O acordo não se limita ao comércio de bens. Ele inclui capítulos específicos sobre serviços, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual, criando um ambiente regulatório mais previsível e transparente. Isso significa que empresas brasileiras terão acesso facilitado ao mercado europeu, com redução de barreiras regulatórias e maior segurança jurídica para operações internacionais.
Impactos Econômicos Diretos
O setor de serviços brasileiro poderá registrar um incremento de até 0,4% no PIB até 2040, equivalente a aproximadamente US$ 10 bilhões (IPEA). Esse crescimento será impulsionado por:
Maior demanda externa por serviços especializados, como engenharia, consultoria e tecnologia.Atração de investimentos estrangeiros, especialmente em áreas de infraestrutura, telecomunicações e serviços financeiros.Acesso a licitações públicas na UE, permitindo que empresas brasileiras disputem contratos em projetos estratégicos europeus.
Setores do Serviços Mais Beneficiados
Serviços financeiros: maior integração regulatória e segurança para operações transfronteiriças.Tecnologia da informação e telecomunicações: possibilidade de exportação de soluções digitais e participação em projetos de inovação.Engenharia e consultoria: oportunidades em obras de infraestrutura, energia e sustentabilidade.Turismo e mobilidade corporativa: facilitação de regras deve estimular viagens de negócios, feiras e eventos, beneficiando hotelaria, transporte aéreo e serviços de apoio.
Dinâmica Competitiva e Desafios
A abertura do mercado traz concorrência ampliada, com empresas europeias altamente estruturadas entrando no Brasil. Isso exigirá das empresas nacionais:
Investimentos em inovação e qualificação para manter competitividade.Adequação regulatória e ambiental, já que o acordo impõe padrões rigorosos de sustentabilidade e compliance.Fortalecimento da governança corporativa, especialmente para pequenas e médias empresas que desejam se internacionalizar.
Condicionantes e Riscos
Apesar das oportunidades, existem desafios importantes:
Exigências ambientais e sociais: serviços ligados à Amazônia e Cerrado terão que atender a critérios de rastreabilidade e preservação.Infraestrutura e conectividade: aumento da demanda por transporte e logística internacional exigirá investimentos robustos.Pressão sobre PMEs: empresas menores podem enfrentar dificuldades para competir com grandes grupos europeus.
Oportunidades e Riscos do Acordo UE-Mercosul no Setor de Serviços
Aspecto
Descrição
Oportunidades
Acesso a licitações públicas na União Europeia
Expansão para serviços financeiros e tecnologia
Maior demanda por turismo e mobilidade corporativa
Riscos
Concorrência ampliada com empresas europeias
Exigências ambientais e regulatórias rigorosas
Necessidade de investimentos em inovação e compliance
Conclusão
O acordo UE-Mercosul cria condições para a internacionalização do setor de serviços brasileiro, ampliando oportunidades em áreas estratégicas e elevando o potencial de crescimento econômico. No entanto, os ganhos dependerão da capacidade das empresas nacionais de adaptar-se às novas exigências regulatórias, investir em inovação e fortalecer sua competitividade. Trata-se de um cenário promissor, mas que exige planejamento e ação coordenada entre setor privado e governo para maximizar benefícios e mitigar riscos.
Carlos Eduardo Oliveira Jr.
Assessor Econômico
Informações secretaria@cnservicos.org.br
UGT - União Geral dos Trabalhadores