Vera Stefanov
presidente do Sindicato dos Bibliotecários de São Paulo (SINBIESP)
29/01/2026
Estou cada vez mais impressionada com o que vem aparecendo de propaganda de clínicas de estética nas minhas redes sociais. São vendas dos tais “procedimentos”. É um verdadeiro festival: botox, fios enfiados na face para erguer as papadas, liftings e colágenos nos beiços, resultando em bocas de peixe, cílios postiços... Tudo para se obter uma aparência jovem. Trata-se, no fundo, de uma rejeição de si mesmo.
Que mundo estamos vivendo? É o consumo exacerbado. Tudo se inventa para estimular o consumo, até mesmo a alteração dos nossos corpos, explorando a vaidade e, claro, o psicológico das pessoas, que já não se gostam nem se valorizam. É a indústria da moda, ou melhor, da futilidade, sendo amplamente explorada. Que atraso!
E os marqueteiros do sistema econômico vêm com o jargão de que assim se geram empregos. Ora, em vez desse festival de vulgaridade, há tantas outras atividades realmente úteis para a humanidade, muito mais dignas do que jogar dinheiro fora com belezas artificiais. Pessoas se submetem a intervenções para se tornarem artificiais por um curto período, pois tudo acaba cedendo novamente, revelando uma aparência ainda mais comprometida.
Daqui a pouco, não seremos mais seres humanos racionais, mas androides. Tudo artificial. Já temos a inteligência artificial; agora, caminhamos para corpos cheios de drogas, retalhados, que deixam de ser humanos. A que ponto chegamos? Que pobreza de espírito!
Realmente, ainda falta muito para alcançarmos uma verdadeira evolução da civilização; ao contrário, parece que estamos nos aproximando do seu fim. Os terráqueos já não pensam por si: agem conforme a massa, enquanto a inteligência artificial pensa por eles. Tudo se resume a satisfazer o ego, muitos já nem se reconhecem mais.
Querem ser outra pessoa, querem ser artistas, querem plateia, precisam de aplausos. As redes sociais se tornaram um grande palco. Todos viraram cineastas: filmam-se, fotografam-se e se exibem, buscando incessantemente auto afirmação. Há um vazio infinito por dentro que atinge pessoas de todos os níveis, desde aquelas sem qualquer título até doutoras e doutores. É o modismo mundano, o narcisismo em ação, o fracasso e a decadência da alma humana.
UGT - União Geral dos Trabalhadores